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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebolista faz defesa apaixonada pela inclusão de pessoas trans no esporte

Megan Rapinoe posa ao lado de Jurgen Klopp na premiação "The Best", da Fifa - Claudio Villa/Getty Images
Megan Rapinoe posa ao lado de Jurgen Klopp na premiação "The Best", da Fifa Imagem: Claudio Villa/Getty Images
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Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

19/06/2022 13h24

Em entrevista para a revista "Time", Megan Rapinoe, considerada uma das melhores jogadoras de futebol da história, fez defesa irretocável para a inclusão das pessoas trans no esporte.

Em declaração forte e cheia de paixão, ela argumenta que os norte-americanos se baseiam na visão do pensamento conservador de direita, que é dominante, para tomar uma decisão sobre o que pensar a respeito do tema.

Ela diz que existem regulações para a inclusão, que a inclusão não é feita de qualquer jeito ou sem regras. Em seguida, pondera que o esporte não é a coisa mais importante da vida. "A vida é a coisa mais importante da vida. E esse debate está sendo feito pelas lentes finas dos esportes de elite".

Para Megan, essa é a lente errada. "Estamos falando de crianças. Da vida das pessoas", diz antes de pedir que seja levado em consideração que pessoas trans estão cometendo suicídio porque são conduzidas a acreditar que são uma aberração, que são diabólicas, que não podem praticar esportes. "É uma monstruosidade isso".

Ao final da reflexão ela contextualiza a importância da inclusão de pessoas trans no esporte pedindo que mostrem a ela as evidências de que mulheres trans estão ficando com todas as bolsas de esporte nas universidades, que estão dominando o esporte feminino, vencendo todos os títulos.

"É preciso dar um passo atrás e entender do que estamos falando de verdade. A vida das pessoas está sendo colocada em risco. Estamos sujeitando crianças a um maior risco de suicídio, depressão, abuso de drogas e pouca saúde mental. Tudo na conta do 'que Deus nos livre de ver uma pessoa trans se dar bem nos esportes'. Se liguem", conclui.

Bravo, Rapinoe.