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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly: Enquanto homens portam suas facas, mulheres compartilham abraços

Virgínia Torrecilla, que recentemente se curou de um câncer na cabeça, é erguida e ovacionada pelas jogadoras do Barcelona - REprodução/Marca
Virgínia Torrecilla, que recentemente se curou de um câncer na cabeça, é erguida e ovacionada pelas jogadoras do Barcelona Imagem: REprodução/Marca
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Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

23/01/2022 20h44

Barcelona e Atlético de Madri disputavam a final da Supercopa Iberdrola quando faltando cinco minutos para a partida acabar entrou em campo Virginia Torrecilla, jogadora do Atlético. Virginia não pôde fazer muito pelo resultado, até porque a goleada foi arrasadora: sete a zero para o Barça. Mas havia uma história maior em jogo.

Virginia não deveria estar ali. Diagnosticada com um tumor cerebral em 2020 ela desafiou o destino e voltou aos campos contra todos os prognósticos. E então, quando o juiz anunciou o fim de jogo e o título do Barcelona, um gesto de inigualável beleza aconteceu: as jogadoras do time Catalão, camisa que Virginia já vestiu, foram jogar para os ares a colega de profissão.

A gente adora dizer que futebol é maior que a vida, mas raramente age como se ele fosse. Talvez possamos tirar do futebol feminino algumas lições para fazer com que possamos alinhar teoria e prática.