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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milly: O que Sócrates, Hulk, Taison e Reinaldo têm a ver com uma certa Rosa

Rosa Parks  - REUTERS/REUTERS
Rosa Parks Imagem: REUTERS/REUTERS
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

01/12/2021 18h37

Foi num dia primeiro de dezembro em 1955, há 66 anos portanto, que uma mulher chamada Rosa Parks, num gesto muito simples e corajoso, mudou a história.

Rosa vivia no Alabama sob o regime de segregação racial estadunidense quando se recusou a ceder seu lugar num ônibus a um homem branco conforme determinava a lei. Rosa disse simplesmente "não saio" e, com isso, acelerou um movimento sem volta em nome dos direitos civis.

Ela foi presa e, antes de se tornar ícone na luta por justiça social, foi bastante atacada, diminuída, agredida. Rosa fez isso numa época em que o partido dos Panteras Negras ainda não tinha imortalizado a imagem do punho cerrado e erguido em nome da luta antirracista. Rosa fez isso quando ainda era inconcebível criticar as leis de segregação racial. Rosa ousou desobedecer a legislação vigente sabendo que seria detida e punida.

Foi num primeiro de dezembro como hoje que uma mulher disse "não" e começou a mudar a história. Por isso, todas as vezes que, dentro de um campo de futebol, um jogador erguer seu punho cerrado para o alto, haverá ali um pouco da coragem de Rosa Parks.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL