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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Skate olímpico: comentarista do Sportv é um show à parte

Karen Jonz faz transmissão de skate no SporTv - Reprodução
Karen Jonz faz transmissão de skate no SporTv Imagem: Reprodução
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

25/07/2021 14h13

Meu amigo Mauricio Svartman tem a antiga mania de me manter informada e atualizada. Eu nunca conheci uma pessoa tão talentosa para captar o que acontece de importante no mundo. Muito menos uma pessoa capaz de, em segundos, pesquisar um pouco mais a fundo assuntos tão variados quanto uma específica cena de South Park exibida há mais de dez anos ou um gol equivocadamente anulado do São Paulo no Paulista de 1950. Mauricio está por dentro das mais recentes pesquisas que envolvem possíveis novas vacinas contra o Covid, da escalação do time do São Paulo no sub-17 e das polêmicas de bastidores que envolvem o próximo filme de David Lynch. Mauricio é meu Google quando o Google falha. É para ele que eu ligo quando perco algum jogo e quero saber o que aconteceu. "O que achamos do jogo, Mauricio?", é a pergunta que gosto de fazer.

Na noite de 24 de julho eu já estava indo dormir quando ele me manda um vídeo da comentarista Karen Jonz, que está trabalhando no Sportv analisando as provas de skate. Na imagem, Jonz se mostra intrigada e pergunta ao narrador, durante a transmissão, se os resultados saíam antes para eles do que para o público - uma informação que a transmissão teria adorado manter em segredo.

Pouco tempo depois, ainda no ao vivo, ela pergunta ao narrador se ele sabe que fala de um jeito no ar e de outro jeito diferente fora do ar. Ele ri e pergunta se soa mais sério no ar, e ela diz que ele soa mais empostado, mas que ambos os jeitos são bons.

É dela também o bate-pronto quando o narrador diz que muito se fala sobre a maternidade no esporte, mas pouco se fala sobre a paternidade e que o atleta que eles estavam vendo competir naquele instante estava conciliando a competição com a paternidade: "Porque provavelmente eles deixam o filho com a mãe", Jonz retrucou educadamente.

Jonz já tinha dito, no on, que só aceitou o convite da Globo para comentar skate nos Jogos porque era o feminino e ela achava que esse é um gesto importante para inspirar meninas menores.

Ela, que começou a deslizar sobre uma prancha de skate aos 5 anos, tem 38 anos e é considerada até hoje um gênio do esporte. Foi tetracampeão mundial, já competiu no vertical entre os homens, ficando em segundo lugar, e é conhecida como uma das melhores skatistas da história, entre homens e mulheres. Além disso, tem uma filha de cinco anos, canta e compõe músicas e tem um divertido canal no Youtube.

Num mundo lotado de fakenews e de gente que finge ser o que não é, Jonz é uma rufada de honestidade, de originalidade e de verdade. Eu, que não sou lá muito do skate, por causa dela e do meu amigo Svartman, agora não vou perder mais nenhuma transmissão que envolva os comentários de Karen Jonz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL