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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Onze homens e nenhum segredo

Toque de cabeça preciso de Luan para Jemerson marcar em Corinthians x Inter de Limeira-SP - Marcello Zambrana/AGIF
Toque de cabeça preciso de Luan para Jemerson marcar em Corinthians x Inter de Limeira-SP Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

11/05/2021 18h38

Se resultado narrasse a história de um jogo não precisaria haver o - ou a - comentarista. Assim, preciso dizer que o Corinthians goleou sem jogar bem.

Esse Corinthians é perigoso em três circunstâncias: quando o adversário erra a saída de bola, em bolas paradas e, deus seja louvado, quando os jogadores ousam sair do roteiro, investem-se do espírito de uma pelada e brincam em campo.

Nessa hora, por exemplo, a gente vê um zagueiro como Raul romper para dentro da área do adversário, o Fagner cair pela ponta esquerda ou um drible mais maroto em direção ao gol.

Fora isso, o jogo desse time corintiano é previsível e conservador. Não há nada a ser escondido, não há uma ideia de time, não há por onde sonhar. Saída de bola com um zagueiro, toca de lado, toca um pouco à frente, um passe pra trás, dois adiante, vai chegando lentamente, falta, cruza, começa de novo. Isso quando a coisa vai bem; quando sai de giro é chutão e balão e um deus nos acuda.

Não se trata de criticar Mancini porque é difícil que alguém faça carreira como ele fez sem ser um bom treinador. Mas se trata de pensar se Mancini ainda tem potência vital para ser o cara que vai, a partir da base e usando os veteranos que estão à disposição, revolucionar esse time, criar uma nova filosofia de jogo, fazer nascer uma ideia de um esquema tático minimamente criativo.

Eu não consigo enxergar esse Corinthians que vi hoje, e tenho visto ao longo do ano, ser capaz de passar pelo Palmeiras ou pelo São Paulo numa semi ou numa final. Ah, sim, no futebol tudo é possível e, como diria o sagaz craque da várzea João Melão: "prognóstico mesmo é melhor dar depois do jogo". Seria prudente, portanto, esperar.

Mas não há muito risco pra mim aqui. De duas uma, ou é isso mesmo e eu vi de forma correta. Ou o Corinthians passará por Palmeiras e São Paulo (imaginando que esses dois cumpram seus papeis) e me fará a enorme gentileza de ser campeão Paulista mais uma vez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL