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São Paulo desiste de pedir anulação da partida contra o Ceará

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

27/11/2020 10h02

Por Gabriel Coccetrone

De acordo com o Blog do PVC do GE, o São Paulo decidiu não pedir a anulação da partida contra o Ceará. O clube entende que haveria mais perdas do que ganhos e que um eventual título brasileiro seria "manchado" pelo pedido de cancelamento do jogo. Outro fator para tal decisão é que Pablo de fato estava em posição irregular, apesar da maneira errada como a anulação aconteceu.

O gol marcado pelo atacante Pablo foi validado. Mas, acabou sendo anulado após o árbitro Wágner do Nascimento Magalhães voltar atrás da decisão quando o jogo já havia sido reiniciado no meio de campo. A atitude irritou os são-paulinos, que ainda não coletiva de imprensa pós-jogo, prometeram procurar a Justiça Desportiva por conta do erro.

O Lei em Campo ouviu especialistas sobre a chance de o clube conseguir êxito em seu pedido na Justiça Desportiva. Ao decidir não pedir a anulação da partida, o São Paulo evita que um grande imbróglio jurídico tome conta do futebol brasileiro.

O duelo entre Ceará e São Paulo acabou empatado em 1 a 1. Com o resultado, o clube paulista perdeu a oportunidade de assumir a liderança do Campeonato Brasileiro.

O próximo compromisso do São Paulo será no próximo sábado (28), contra o Bahia, na Fonte Nova, às 19h.

Veja na íntegra a nota oficial do clube sobre a decisão:

Jogamos futebol porque acreditamos nesse esporte como meio de atingir a felicidade. O futebol é, no Brasil, a maior expressão do povo brasileiro. E este esporte, os clubes de futebol e os campeonatos só existem por causa da paixão - para quem não sabe, é disso que o futebol é feito e é isso que o mantém vivo, de geração para geração.

Ocorre, no entanto, que acontecimentos como o presenciado nesta quarta-feira (25), na Arena Castelão, em nossa partida contra o Ceará, estão ferindo e fazendo sangrar, dia após dia, a paixão pelo futebol.

O São Paulo deixa claro que sabe que houve impedimento no lance e que a decisão correta seria a anulação do gol, mas alerta que isso não implica na inexistência do indiscutível erro de direito que veio a seguir e que justifica esta nota.

O erro da arbitragem foi algo acima de interpretação, que incorre em descumprimento de regra básica do jogo: o próprio Livro de Regras, que embasa a arbitragem brasileira e é documento público disponibilizado pela CBF, afirma que não se pode alterar uma decisão após o reinício da partida. Vimos o contrário acontecer, no entanto.

Em nota oficial publicada na noite desta quinta-feira (26), a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF não só atestou que houve, sim, uma alteração da decisão do VAR após o reinício do jogo, como também relatou que houve uma falha de comunicação entre o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães e o VAR causada por uma comunicação paralela e simultânea entre o árbitro de campo e o quarto árbitro.

É preciso, hoje, que um clube diga com clareza que a aplicação do VAR precisa ser revista no Brasil. A tecnologia é bem-vinda, mas precisa ser bem aplicada. Todo o futebol brasileiro se beneficiará de mais capacitação, transparência e de maior clareza quanto às diretrizes que embasam as decisões. Precisamos cuidar do futebol brasileiro.

Vale lembrar que esta não foi a primeira vez em que o São Paulo foi prejudicado em uma decisão de jogo que envolveu o VAR. Há três meses tivemos um atleta agredido no Morumbi em clássico contra o Corinthians em lance que não resultou em punição para o agressor, e também um gol de Luciano contra o Atlético-MG em que a tecnologia de vídeo apontou impedimento equivocadamente - erro posteriormente assumido pela Comissão Nacional de Arbitragem.

Como futebol é feito e vive de paixão, o São Paulo aproveita o momento para relembrar do que este clube é feito em sua essência. Este clube tem princípios, é balizado pela retidão de conduta e se orgulha de fazer o correto. Por isso, não ingressará com o pedido para anulação da partida apesar de ter a segurança que o pleito seria aceito uma vez que houve evidente erro de direito e descumprimento de regra básica do jogo.

O São Paulo não quer, no entanto, se beneficiar do que teria sido um erro. Nos orgulhamos de nossa história incontestável e sem asteriscos, e assim a manteremos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL