PUBLICIDADE
Topo

Crise provocada pelo coronavírus faz primeira vítima no futebol inglês

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

02/07/2020 08h46

A pandemia do coronavírus prendeu pessoas em casa, colocou famílias em luto, e atingiu em cheio a economia do planeta, inclusive a do esporte, que parou com a crise de saúde pública. A primeira vítima no futebol inglês é um clube tradicional no país, Wigan Atlhetic F.C.

Fundado em 1932 na cidade de Wigan, Grande Manchester, o hoje clube-empresa entrou em processo de recuperação de falência, tornando-se assim o primeiro clube do futebol inglês a sofrer juridicamente os efeitos da pandemia.

Luiz GG Costa, advogado em Londres e colunista do Lei em Campo explicou que "de acordo com o regulamento da competição que participa, a Championship, o efeito da entrada em administração por um clube é a perda de pontos. Neste caso 12 pontos. Caso Wigan termine a temporada fora da zona de rebaixamento, a punição será aplicada ainda nesta temporada. Caso termine na zona de rebaixamento, na temporada que vem, a de 2020/2021. Com seis partidas até o fim do campeonato, Wigan está em 14º na tabela de classificação, oito pontos acima da zona do rebaixamento".

A equipe voltou bem na retomada do futebol depois da paralisação em função da pandemia, vencendo as três partidas desde então. Agora, fora de campo a história é outra.

Depois de vencer a FA Cup (equivalente à Copa do Brasil) em 2013, muita coisa mudou. O rebaixamento da Premier League para a Championship ainda em 2013, marcou quase uma década bem sucedida para o modesto clube.

Vendido em 2018 para uma corporação de Hong Kong, em maio deste ano foi vendido de novo para um fundo de investimento. Assim, cerca de um mês após a última venda encontra-se em situação muitíssimo frágil.

Como explica Luiz "no direito inglês, a administração é um processo de insolvência pelo qual uma empresa é colocada sob o controle de um administrador para permitir-lhe alcançar certos objetivos estabelecidos por lei. O primeiro objetivo, por exemplo, é resgatar a empresa (ao invés de resgatar os negócios que a empresa exerce), para que possa continuar a operar como uma empresa ativa. Caso seja impossível, o administrador deve procurar obter o melhor resultado para os credores da empresa como um todo do que seria provável se a empresa fosse colocada em liquidação, sendo este o segundo objetivo. O terceiro objetivo, por sua vez, caso o primeiro e o segundo objetivos não forem possíveis, é coletar o que é de propriedade da empresa para fazer uma distribuição aos credores com garantias específicas ou preferenciais da empresa. Com o fim de auxiliar o administrador na implementação desses objetivos estatutários, a lei prevê uma moratória pela qual credores são proibidos de buscar processos legais contra a empresa enquanto ela estiver em administração."

O esporte e o futebol também têm sofrido muito com a crise, inclusive o poderoso futebol inglês. Com estimativas de que clubes da Premier League perdem em média 5 milhões de libras por jogo pela falta de torcedores nos estádios, o que sobra para os clubes das divisões mais baixas? A receita da transmissão de jogos salva vários clubes, mas não os das divisões mais baixas.

A crise é real e gigante. E, infelizmente, dificilmente o Wigan será o único clube a sofrer juridicamente com ela na Inglaterra.

Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo