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Atletas se unem para pedir 600 reais de auxílio do governo. Há esperança

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

24/05/2020 19h33

Os atletas começam a se unir para proteger, e reivindicar direitos. Neste domingo (24/05), eles enviaram um vídeo onde solicitam ao poder público que o benefício emergencial de R$ 600 dado pelo governo aos trabalhadores nesse momento de crise também seja estendido aos atletas.

A campanha é organizada pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais, e tem a participação de atletas das quatro divisões do futebol brasileiro. Participaram do vídeo da campanha jogadores como Éverson, Digão, Diego Ribas e D'Alessandro. Ela lembra a realidade do futebol brasileiro.

É sempre importante reforçar que essa realidade está longe daquela apresentada diariamente pelos veículos de comunicação. O jogador de futebol no Brasil tem o mesmo perfil da maioria dos trabalhadores. Ele é pobre, trabalha muito, ganha pouco e enfrenta dificuldades diariamente.

A média de salário de quem vive da bola é muito parecida com a do trabalhador brasileiro: 82% deles ganham um salário mínimo; 13%, entre R$ 1.000 e R$ 5.000; e apenas 5%, mais de R$ 5.000 reais por mês (levantamento de 2019 da Pluri Consultoria).

O presidente Jair Bolsonaro vetou a inclusão de atletas e profissionais ligados ao esporte no auxílio emergencial do governo durante a pandemia do novo coronavírus. A medida atinge em cheio o universo do esporte brasileiro, que terá que buscar algo raro para reverter a decisão: mobilização.

"Pensando num todo, atletas são trabalhadores normais com contratos regidos pela CLT, que não podem pagar uma conta devido à grande maioria achar que os atletas são os 2% que estão sempre na TV. E os mais necessitados realmente sofrerão sem poder contar com auxílio como qualquer outro trabalhador normal", diz Washington Mascarenhas, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo.

Após o veto do presidente, o Congresso tem 30 dias para deliberações sobre o veto e sua votação, sendo que esta deve ser feita em conjunto por senadores e deputados, e para a derrubada do veto presidencial de faz necessária uma maioria absoluta - isso quer dizer 257 votos dos deputados e 41 dos senadores. Caso alcance essa votação, o veto é derrubado, e a alteração legal entra em vigor mesmo contra a vontade do presidente da República.

Portanto, existe um caminho legal possível para os atletas irem atrás desses direitos. Para isso, a mobilização é fundamental nessa hora. Assim como para proteger direitos ameaçados pelo Projeto de Lei 2125 do deputado Arthur Maia, que está para ser votado no Congresso.

Para isso, é indispensável algo sempre presente em grandes conquistas: mobilização, força coletiva, participação. De todos os atletas. Um ajudando o outro.

Se escuta uma voz. E é assim que começam as grandes transformações.

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Lei em Campo, por Andrei Kampff