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Jogadores estão passando fome com pandemia, diz Federação de Atletas

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

20/05/2020 12h31

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFpro) afirmou que existem jogadores na África, na América do Sul e na América Central precisando de ajuda alimentar, em função da crise provocada pelo novo coronavírus. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro retirou na semana passada o auxílio emergencial de 600 reais a atletas e profissionais do esporte.

Em uma conversa com jornalistas, o secretário-geral da FIFpro, Jonas Baer-Hoffmann, esclareceu que muitos futebolistas ficaram sem fonte de receita face à suspensão dos campeonatos e que muitos têm salários equiparáveis às médias nacionais. No Brasil, a imensa maioria, cerca de 90% dos atletas profissionais do futebol, ganha até 2 salários mínimos, e muitos estão sem receber com a paralisação do futebol.

De acordo com Baer-Hoffmann, esses jogadores estão sujeitos "à mesma pressão do resto da sociedade".

Entre os casos relatados de pedido de socorro alimentar pela FIFpro, organismo que representa futebolistas de 65 países, estão atletas do Botsuana, Egito, Colômbia, Honduras, Panamá, Paraguai e Uruguai. Nestes locais, segundo a entidade, atletas estão recebendo cestas básicas das federações. Não há atletas brasileiros.

Na semana passada o governo brasileiro vetou a inclusão de atletas e profissionais ligados ao esporte no auxílio emergencial de R$ 600 do governo durante a pandemia do novo coronavírus. A sanção da lei foi publicada na edição da última sexta-feira (15 de maio) do Diário Oficial da União. A medida atinge em cheio o universo do esporte brasileiro, que terá que buscar algo raro para reverter a decisão: mobilização.

"O atleta vive em ambiente de instabilidade. O futebol está desestruturado, sem segurança legal. É preciso entender o futebol de maneira sistêmica. A realidade é que atletas vivem de contratos curtos, e de baixa remuneração", diz Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo. Martorelli disse que o sindicato já encaminhou aos atletas um "questionário social", a fim de entender as principais necessidades da categoria nesse momento de crise. Ainda não foi feita a análise final das respostas.

Nessa hora, com a categoria em crise e sem receber o benefício emergencial, a mobilização passa a ser fundamental.

"Vamos começar o dia trabalhando em fazer contatos com parlamentares para que possam nos apoiar e tentarmos reverter esse veto. Vamos à luta pra buscar benefícios aos atletas", diz Washington Mascarenhas, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo.

Após o veto do presidente, o Congresso tem 30 dias para deliberações sobre o veto e sua votação, sendo que esta deve ser feita em conjunto por senadores e deputados, e para a derrubada do veto presidencial de faz necessária uma maioria absoluta - isso quer dizer 257 votos dos deputados e 41 dos senadores. Caso alcance essa votação, o veto é derrubado, e a alteração legal entra em vigor mesmo contra a vontade do presidente da República.

Ou seja, ainda existe um caminho legal possível para os atletas receberem esse benefício fundamental para este momento de crise. Para isso, é indispensável algo sempre presente em grandes conquistas: mobilização, força coletiva, participação. De todos os atletas. Um ajudando o outro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL