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OPINIÃO

Gomes: Diretoria do Flamengo é muito mais fraca do que Renato

Ao lado de Bruno Spindel e Marcos Braz, Renato Gaúcho assina contrato para ser técnico do Flamengo Imagem: Divulgação/Flamengo
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Julio Gomes

29/11/2021 16h49

Não acho Renato ótimo nem péssimo. É um técnico OK para consumo interno. Medíocre - no sentido correto, ou seja, mediano. O calendário do futebol brasileiro dificulta demais a avaliação de treinadores. A bizarrice que acontece por aqui atrapalha os bons, ajuda os ruins, tudo fica meio embolado e sobram as avaliações em função de resultado. Ganhou, é ótimo. Perdeu, é burro.

Renato é um "old school" entre treinadores brasileiros, apesar de não ter tanta idade assim. Não triunfou como jogador na Europa, portanto não aprendeu nada lá na carreira. Confia na vivência para resolver problemas. É claro que sabe do jogo, mas, acima disso, sabe de gente e sabe de como funcionam as engrenagens de clubes de futebol no Brasil.

Sabe falar o que o jogador quer ouvir, sabe lidar com dirigentes amadores, sabe dominar o ambiente. Vamos lembrar que o ambiente em um vestiário daqui é muito diferente. Não necessariamente um técnico europeu vai conseguir fazer um time voar aqui no Brasil - e vice-versa. Existe a cultura de passar a mão na cabeça, além de o treinador exercer uma função que vai muito além do campo e que chega até ao centro familiar de alguns comandados.

Eu achava que Renato daria certo no Flamengo justamente por navegar bem dentro do ambiente. Para consumo interno, ainda acho que ele possa dar um caldo. O problema é quando se exige dele mais do que ele pode dar. Em um ano com tantas lesões e datas Fifa, o Flamengo precisava encontrar soluções diferentes. Em uma final de Libertadores contra um time tão tático, idem. E aí é querer de Renato algo que ele não poderá dar.

Atenção! O futebol permite e sempre permitirá que o pior vença o melhor. Por mais que Renato não seja um treinador tão completo, o Flamengo ficou muito perto de vencer a final contra o Palmeiras. Um chute de Michael. Foi uma partida em que a vitória tática de Abel sobre Renato deu ao Palmeiras o primeiro gol e um primeiro tempo controlado. Mas depois as coisas se igualaram e foram os detalhes que definiram o vitorioso.

Se o Flamengo tivesse vencido, Renato seria demitido? Parece que sim, mas não é possível cravar.

O Flamengo hoje parece ser mais gerido pelo termômetro das redes sociais do que outra coisa. São dirigentes que posam de profissionais, mas que agem da mesma forma amadora que estamos acostumados a ver.

Vamos voltar um pouquinho no tempo? Esses caras, Landim, Braz e companhia, apostaram as fichas em Abel Braga. De lá, tiraram a sorte grande com Jorge Jesus. Não conseguiram absorver para o clube legado algum da passagem do português. Quando ele se foi, quiseram dar uma de grandes conhecedores e foram fazer entrevistas na Europa. Seria legal, não fosse o ridículo. Escolheram mal, até porque nem a primeira escolha era: Domenech.

Quiseram fingir que estavam mais preocupados com estilo do que resultados. Os resultados não vieram, chutaram o estilo em poucos meses. No embalo da opinião pública, acertaram com Rogério Ceni. Que não caiu no gosto das redes sociais. Descobriram em 2021, vejam só, que Ceni não tem o estilo "boleirão" e, sim, o estilo profissional e que busca a excelência. Descobriram em 2021 que Ceni desafiaria feudos em departamentos fundamentais para o futebol.

E aí foram buscar Renato, que estava disponível, "dando sopa". Um cara para não incomodar, como Ceni incomodava. Um cara que "entende o Flamengo" - deixo para vocês a interpretação sobre o que isso significa.

Os dirigentes flamenguistas estão preocupados com o quê exatamente? Com ganhar o próximo campeonato? Com montar um departamento de futebol forte? Com encontrar um estilo de jogo para vários anos? Ou com fazer conchavos políticos para seguirem com o poder dentro do clube?

Não há uma resposta clara. Há decisões erráticas, inconsistentes, incoerentes e que vão na direção do vento. Hoje, o Flamengo parece refém de seus youtubers, influencers e por aí vai. Não é possível que todos os técnicos (menos Jesus) sejam tão ruins assim, que nenhum sirva para o Flamengo. Todos eles têm virtudes e defeitos. E todos eles foram e continuarão sendo usados para esconder os defeitos - maiores - dos outros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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