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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Três chaves que podem definir o título para Palmeiras ou Flamengo

Diego Alves defende pênalti, durante a Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras - Buda Mendes/Getty Images
Diego Alves defende pênalti, durante a Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras Imagem: Buda Mendes/Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

27/11/2021 07h37

Palmeiras e Flamengo fazem hoje uma final de Copa Libertadores em que não há e nunca houve favorito. Passamos os últimos dois meses apontando que este ou aquele estava melhor, mas não, nunca foi possível dizer que um é superior ao outro. Há um grande equilíbrio de forças neste que eu costumo já chamar de primeiro grande clássico nacional do futebol brasileiro - um futebol que nasceu e cresceu regional, mas que neste século ganhou um caráter nacional.

Os dois clubes grandes mais bem resolvidos financeiramente do país tem dominado o cenário de competições relevantes nos últimos cinco anos e isso promete seguir assim por bastante tempo. Quem ganhar hoje, será tri da Libertadores, se juntando a São Paulo, Santos e Grêmio. Ou seja, quem ganhar hoje provavelmente será logo logo também o primeiro tetra continental entre nossos clubes.

Na partida única de Montevidéu, qualquer erro grave ou acerto grandioso pode definir o campeão. É assim em qualquer jogo de futebol. Uma escorregada, um desvio, um chute de rara felicidade, uma lambança de arbitragem, sorte, azar. Mas esse tipo de coisa não se controla. Entre as que sim, se controlam, se planejam, se treinam, eu enxergo três chaves que podem fazer de um, o campeão, do outro, o perdedor da temporada.

1- Setor esquerdo de ataque do Flamengo x Setor direito da defesa do Palmeiras. Desde a suspensão de Marcos Rocha, que jogou uma grande semifinal contra o Atlético, o torcedor palmeirense coça a cabeça. Abel Ferreira testou Gabriel Menino por ali e não gostou do que viu. No Brasileiro, o time reencontrou vitórias usando o próprio Rocha. Nas últimas partidas, Mayke voltou de lesão e jogou como titular.

Quem acompanha o Palmeiras de perto não descarta o deslocamento de Gustavo Gómez para a direita, Felipe Melo para a zaga, com a entrada de Danilo no meio ao lado de Zé Rafael. Esta solução resultaria em duas improvisações, o que nunca é bom. Mas estamos falando em encontrar uma forma para o Flamengo não usar bem o setor em que é mais forte. No jogo mais recente entre eles, Michael destruiu o Palmeiras por aquele lado. Michael não deverá ser titular hoje, mas ainda assim Arrascaeta e Bruno Henrique operam pela esquerda e têm alto potencial de gerar chances por ali. É um duelo para ficar de olho.

2- Pressão de meias e atacantes do Palmeiras aos portadores da bola. Um dado provável que veremos ao final da partida será uma posse de bola maior para o Flamengo. Não acredito que o Palmeiras dê espaços para o rival, é mais provável mesmo que dê a bola e busque ele, Palmeiras, a chance de contra atacar. A natureza dos times e seus treinadores indica um duelo com este desenho durante boa parte da final.

Por que Gustavo Scarpa demorou tanto a convencer Abel a recolocá-lo no time? Porque Scarpa não exerce, sem bola, a pressão que Raphael Veiga, por exemplo, exerce. O jogo é jogado com e sem bola, e técnicos estrangeiros apontam esta falha generalizada no futebol praticado por aqui. David Luiz gosta de carregar a bola, Rodrigo Caio também tem bom passe, Filipe Luís e Arão são outros responsáveis pela saída flamenguista. A pressão exercida por Dudu, Rony, Scarpa e Veiga pode ser uma chave da final. Se eles conseguirem incomodar o início do jogo do Flamengo, roubar bolas e criar chances a partir daí, será boa notícia para o Palmeiras.

3- Disputa por pênaltis. Há quem diga que é "loteria". É lógico que não é. O empate é um resultado mais do que possível e é bem capaz que o campeão seja decidido nas cobranças da marca do pênalti. Tudo influencia: condição física, a maneira como se chegou ao empate como resultado final do jogo e até mesmo o lado em que serão cobrados - perto da torcida de um ou do outro?

O Palmeiras tem em Raphael Veiga um cobrador quase perfeito, mas perdeu as quatro disputas que teve em 2021, uma para o próprio Flamengo (Supercopa do Brasil), uma para o Defensa y Justicia (Recopa), para o Al-Ahly (Mundial de Clubes) e CRB (Copa do Brasil). São oito insucessos nas últimas dez disputas, uma estatística que faz o torcedor ter calafrios. "É sobre estar calmo e fresco", disse Abel, após a última derrota, frente ao CRB. É também sobre muito treino e conhecimento estatístico sobre e por parte dos goleiros.

Já vimos Diego Alves e Wéverton atuarem em dezenas e dezenas de cobranças de pênaltis. Os dois são muito bons, ainda que Diego leve uma vantagem aqui - tem fama mundial, após pegar cobranças de Messi, Cristiano Ronaldo e outros craques nos tempos de Espanha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL