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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Arbitragens ruins disfarçam distância entre Liverpool e Atlético

Salah e Mané comemoram gol do Liverpool contra o Atlético de Madri na Champions - REUTERS
Salah e Mané comemoram gol do Liverpool contra o Atlético de Madri na Champions Imagem: REUTERS
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

03/11/2021 18h52

O Liverpool voltou a vencer o Atlético de Madrid, desta vez jogando em casa, pela Liga dos Campeões. O placar final, de 2 a 0, não representa o que foi a partida. Um verdadeiro massacre. Não seria absurdo nenhum se o jogo tivesse acabado 5 ou 6 a 0.

Só que, assim como duas semanas atrás, a arbitragem deixou a desejar e não atuou com o alto nível que costumamos ver no futebol europeu. O que dá ao Atlético um álibi para as duas derrotas (2 x 3 em casa, 2 x 0 fora). "Se não fosse o árbitro..."

Se, no jogo de Madri, um vermelho direto para Griezmann alterou a dinâmica da partida, hoje outro vermelho direto, bem contestável, deu ao Liverpool a vantagem de jogar com um a mais desde o primeiro tempo. O brasileiro Felipe parou um contra ataque com uma falta por trás em Mané, um lance sem violência flagrante. Típico lance para amarelo, falta tática, que o juiz holandês Danny Makkelie interpretou como lance para expulsão direta.

Felipe, diga-se, havia comido mosca na marcação de Diogo Jota, no primeiro gol, e de Mané, no segundo. Foi uma noite para ser esquecida pelo zagueiro brasileiro. Duas falhas e um vermelho direto, ainda que injusto, fazem uma atuação assim ficar marcada.

No segundo tempo, o Atlético achou um gol em um raro lance no ataque, um chute de Suárez que desviou e enganou Alisson. Ninguém entendeu nada quando o árbitro anulou o gol, a mando do VAR, por impedimento. No lance anterior, uma cobrança de falta, havia dois jogadores do Atlético adiantados, mas eles não disputaram a bola. Fabinho, do Liverpool, afastou, no que iniciaria um "novo lance", e Suárez acertou o chute na sequência. Não concordo com a interpretação de impedimento.

No jogo de Madri, um pênalti para o Atlético, que poderia representar o 3 a 3 no finalzinho, teve um raro chamado do VAR para que o árbitro de campo reinterpretasse o lance e anulasse a marcação.

Enfim, foram quatro decisões, a meu ver, equivocadas. Que talvez alterassem o resultado de um ou outro jogo. Mas que de forma alguma altera uma dura realidade para o Atlético: o futebol do time de Simeone está anos-luz atrás da bola que joga o time de Klopp. O Liverpool é muito superior, e o Atlético vai ter que melhorar muito para ser competitivo no mata-mata.

Isso se chegar ao mata-mata. No momento, o "grupo da morte" virou um passeio do Liverpool, com quatro vitórias em quatro partidas e, com duas rodadas de antecedência, a classificação em primeiro lugar já assegurada. Ou seja, o Liverpool pode reservar seus principais jogadores nas rodadas finais.

O Porto está em segundo, com cinco pontos, contra quatro do Atlético e só um do Milan. Daqui a três semanas, o Atlético recebe o Milan, que ainda pode sonhar com a vaga se vencer na Espanha - na outra partida, o Porto tentará tirar algo de uma viagem a Liverpool. Na última rodada, o Milan recebe o Liverpool, e o Porto joga em casa contra o Atlético - na partida que, teoricamente, definirá o segundo colocado do grupo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL