PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Após atuações pífias, seleção responde e faz melhor jogo no ano

O atacante Raphinha atuou entre os titulares da seleção brasileira contra o Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, na Arena Amazônia - 14/10/2021 - Lucas Figueiredo/CBF
O atacante Raphinha atuou entre os titulares da seleção brasileira contra o Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, na Arena Amazônia - 14/10/2021 Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/10/2021 23h27

Quando é para criticar, tem que criticar. Quando é para elogiar, tem que elogiar. Não dá para ver nada de bom nos jogos que a seleção brasileira fez contra Venezuela e Colômbia. Não dá para ver nada de ruim na partida feita contra o Uruguai, nesta quinta, em Manaus.

Foi uma resposta à altura e que precisava ser dada. Não para a opinião pública, mas para o próprio Tite, dos jogadores para os jogadores. Depois de dois jogos pífios - e mais que isso, depois de uma Copa América ruim e outros jogos sem sal algum -, o Brasil fez sua melhor partida no ano. Foi 4 a 1 contra o Uruguai, mas poderiam ter sido 7, 8 ou 9 gols, não fossem grandes defesas de Muslera.

Um aparte sobre o Uruguai. Com os jogadores que têm, não deveria sofrer tanto nas eliminatórias. Talvez seja a hora de o gigantesco maestro Oscar Tabárez passar o bastão. Foram dois chocolates, na Argentina e em Manaus, separados por poucos dias, e o Uruguai precisa de um chacoalhão para potencializar tantos talentos. Dá para fazer uma grande Copa, como as últimas três? Sim, mas algo precisa mudar.

Voltando ao Brasil. Tite tinha uma seleção pronta para 2018 e perdeu meio time depois da Copa, incluindo o meio de campo inteiro. De lá para cá, a impressão que passou foi de um treinador buscando soluções, sem encontrá-las.

Hoje, com um time inteiro "europeu", sem cair na armadilha de confiar em jogadores que atuam no Brasil - em um nível de competição muito inferior -, a seleção se encontrou.

Ainda faltam Marquinhos, Casemiro e provavelmente Richarlison. Com o surgimento de Raphinha, um jogador de 24 anos, que atua no Leeds (com Bielsa) e que pouquíssimos conheciam, Tite encontra o "extremo" que tanto queria. Em 2019, depois da Copa América, a impressão era que esse cara seria Éverton Cebolinha. Mas este já era - por enquanto. Com a presença de Raphinha (e ainda a opção de Antony para a reserva), Neymar ganha espaços para jogar. E sei lá se um dos Gabrieis será titular, porque Richarlison é importante para Tite.

A Argentina, que está forte, encontrou um time e confiança assim, de repente. Quem sabe Tite tenha encaixado várias peças em um quebra-cabeças que parecia cada vez mais complicado. E, de repente, o Brasil volte a demonstrar a força que parecia estar perdendo.

É bonito que isso aconteça em Manaus, a cidade brasileira mais castigada pela pandemia. E que hoje vai dormir feliz. Se vier o hexa, esta noite em Manaus será lembrada como a noite da retomada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL