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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Encaixe de Diego Costa com Hulk é enorme notícia para o Atlético

Diego Costa marcou o primeiro gol do Atlético-MG na vitória por 3 a 0 sobre o Sport-PE, em BH - Agência I7/Mineirão
Diego Costa marcou o primeiro gol do Atlético-MG na vitória por 3 a 0 sobre o Sport-PE, em BH Imagem: Agência I7/Mineirão
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

19/09/2021 09h51

Diego Costa mal chegou ao Galo e já mostrou que pode ter um impacto muito grande para o time, na hora H da temporada. Ontem, foi titular pela primeira vez, na vitória sobre o Sport. Fez o gol que abriu a vitória e, o principal, jogou ao lado de Hulk e não no lugar de Hulk.

Porque essa era e é a grande dúvida. Haverá encaixe entre Hulk e Diego Costa? Como são dois jogadores fortes e físicos, muita gente especula se pode haver espaço para os dois no mesmo time. Mas as semelhanças entre eles não vão muito além disso.

Hulk destacou-se como homem de lado de campo na carreira, jogou em muitas situações ao lado de um centroavante - inclusive na seleção brasileira. Diego Costa nunca foi um camisa 9 paradão, nos grandes anos de Atlético de Madrid atuou ao lado de Radamel Falcao e David Villa, por exemplo. No Chelsea, jogou com Drogba.

É possível que eles joguem juntos, pois Hulk sabe muito bem fazer os movimentos de fora para dentro, e Diego é um exímio pivô, sabe abrir espaços e fazer paredes para a infiltração de companheiros. Ambos finalizam muito bem, o que vai gerar grande eficiência quando o time chegar à área - não importa nos pés de quem a bola caia.

A questão, claro, é que a teoria precisa virar prática. Precisa haver química entre os caras, dentro e fora do campo - neste sentido, por enquanto, são só flores.

Contra o Sport, um time fraco, mas que se defende bem, o Atlético não teve problema algum para vencer a partida. Hulk deixou de ser o falso 9 para ser um falso 10. Jogou um pouco atrás de Costa, flutuando pela intermediária, mas pisou na área. O mapa de calor mostra que Diego Costa saiu bastante da área, principalmente pela faixa esquerda, onde o Galo trabalhou mais.

Keno, que jogou um grande primeiro tempo, e Zaracho, pela direita, eram os construtores para o jogo acabar nos dois fortões dentro da área. E, claro, um Arana - que é muito mais extremo do que lateral - foi fundamental para tudo isso funcionar.

Pensando no jogo de terça, contra o Palmeiras, já fica difícil imaginar Diego Costa fora do time. Mas há um "pequeno" detalhe. Ontem, Nacho Fernández foi poupado e só foi entrar no lugar de Keno aos 28min da etapa final, quando Diego e Hulk já nem estavam em campo.

Nacho vai jogar no Allianz, pela Libertadores. Se for no lugar de Keno e Diego Costa seguir no lugar de Vargas, o Atlético terá, no maior jogo da temporada, uma formação inédita. Possivelmente Hulk é quem se deslocará mais para a esquerda, ocupando a posição de Vargas.

Pode funcionar, tem tudo para funcionar, mas é delicado fazer esse tipo de "descoberta" em um jogo tão grande. De qualquer maneira, esta é uma dor de cabeça para Cuca. Por enquanto, para o torcedor do Atlético, é pura felicidade. Diego Costa chegou chegando e o Atlético vai ganhando corpo, literalmente, em sua busca pelo primeiro título brasileiro em 50 anos e, por que não, da quádrupla coroa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL