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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bayern trata Barcelona como se fosse um Dínamo qualquer

Lewandowski comemora gol do Bayern de Munique contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões - dpa/picture alliance via Getty I
Lewandowski comemora gol do Bayern de Munique contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões Imagem: dpa/picture alliance via Getty I
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/09/2021 18h31

Sabem aquele jogo de Liga dos Campeões do Bayern de Munique contra um time bem inferior, tipo aqueles do Leste europeu? Um Dynamo de Kiev ou de Zagreb, um Steaua, um Sparta... Um daqueles jogos que você já sabe quem vai ganhar antes. E que não vai ser de pouco.

Foi assim o Barcelona x Bayern de hoje, com quase 40 mil pessoas no Camp Nou. Acabou 3 a 0 e foi pouco. Se o Bayern apertasse, podia até chegar em algo parecido com o 8 a 2 de um ano atrás.

Hoje, a diferença entre estes dois gigantes europeus é brutal. Considerando que ambos, ao lado do Real Madrid, formaram o principal trio de forças da década passada na Europa, é um pouco incrível pensar como os espanhóis caíram tanto e só os alemães se mantiveram lá no alto. Talvez as regras de cada liga e a responsabilidade financeira expliquem.

Foi o primeiro jogo do Barcelona sem Messi após 17 anos da estreia do argentino. É o Barça menos estrelado dos últimos 40 anos, sem contratações de impacto, um clube devendo as calças e precisando acabar o jogo com um punhado de adolescentes em campo. A escola é boa, talvez venham bons jogadores por aí, mas, por enquanto, não passam de promessas.

No segundo tempo, já com 2 a 0 no placar, Koeman botou o time para frente e até que a garotada recebeu alguns aplausos. Phillipe Coutinho voltou a campo após nove meses. Ansu Fati (um garoto), Dembélé (sempre machucado) e Aguero (veteraníssimo) ainda estão no estaleiro. Piqué disse que "hoje o Barcelona não está entre os favoritos, mas precisamos competir e veremos o que acontece no fim da temporada".

"Es lo que hay", falou Piqué. É o que tem para hoje, em português claro. E o que tem para hoje não é muito para quem já teve tanto.

Já o Bayern de Munique tem um time recheado de campeões do mundo e com o grande atacante dos últimos anos, Lewandowski, que meteu dois no Camp Nou.

Hoje, a diferença é essa aí. Entre um time favorito ao título e outro que, no momento, pela primeira vez em duas décadas, parece não ter chance alguma de conquistar a Europa. Nunca se sabe, o futebol é dinâmico, vide Chelsea na temporada passada. Mas acreditar no Barça, neste momento. exige boa dose de fanatismo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL