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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Competições mistas na natação e atletismo são acerto em cheio do COI

Nadador britânico Adam Peaty - Ian MacNicol/Getty Images
Nadador britânico Adam Peaty Imagem: Ian MacNicol/Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

31/07/2021 10h34

Dois eventos deste sábado chamaram muito a atenção: os revezamentos mistos no atletismo e na natação. Provas que o COI decidiu incluir na programação olímpica ainda em 2017. Outras competições mistas passaram a fazer parte do programa, como no triatlo, tênis de mesa e tiro com arcos.

Mas chamaram muito atenção os dois eventos dos "esportes mãe" dos Jogos - atletismo e natação. No revezamento 4x400 m do Estádio Olímpico, houve bagunça, quedas e uma incrivelmente comemorada medalha de ouro para a Polônia, deixando americanos e americanas para trás.

Antes, na piscina, houve o 4x100 m medley. E o interessante desta prova, em que cada atleta nada um estilo diferente, é que não havia regras para qual nadador ou nadadora competiria em qual parte da prova. No nado costas, que abriu a prova, quatro países começaram com homens e quatro com mulheres. Ficou evidente como a prova estava dividida em dois blocos. A partir da segunda parte do revezamento, misturou tudo.

E o ouro acabou com britânicos e britânicas, que abriram (Kathleen Dawson, nado costas) e fecharam a prova com mulheres. Anna Hopkin aguentou a pressão dos machões que vinham atrás e garantiu a vitória. É uma prova, a mista, que dará muita margem para a estratégia, explorar o estilo forte de cada um.

No fim, o COI atingiu o objetivo. De alguma forma, colocou no mesmo patamar, ou pelo menos na mesma prova, na mesma realidade, homens e mulheres. Isso acontecia em raríssimas modalidades e, convenhamos, sem muita intenção de inclusão - era mais por acaso mesmo. Nos esportes coletivos, creio que a mescla é quase impossível. Mas, em competições por equipes, torna-se muito viável.

Os eventos de atletismo e natação, especialmente, abrirão portas para que a fórmula seja repetida em mais esportes. Gol do COI.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL