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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Palmeiras nunca venceu o São Paulo na Libertadores. Freguesia pesa?

Luan celebra gol pelo São Paulo no duelo com o Palmeiras, pela final do Paulista, no Morumbi - Marcello Zambrana/AGIF
Luan celebra gol pelo São Paulo no duelo com o Palmeiras, pela final do Paulista, no Morumbi Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

22/07/2021 04h00

Palmeiras e São Paulo farão o clássico paulista das quartas de final da Copa Libertadores da América. Até hoje, os dois gigantes se enfrentaram oito vezes pela competição máxima do continente: foram seis vitórias são-paulinas e dois empates. Três dos duelos foram eliminatórios (1994, 2005 e 2006), sempre pela fase de oitavas de final, com o Tricolor passando em todas elas.

Aliás, sempre que o São Paulo enfrentou o Palmeiras na Libertadores, acabou chegando à final. Foi campeão em 2005 e acabou sendo vice em 74, 94 e 2006.

O confronto de 1994 é especialmente lembrado pelas duas torcidas, com a bizarrice de o jogo de ida ter sido disputado antes e, o de volta, após a Copa do Mundo. O São Paulo era o bicampeão da América, mas o Palmeiras tinha uma máquina e era o favorito —o jogo de ida, que acabou com empate sem gols, teve uma atuação monumental do goleiro Zetti. O São Paulo passou e só perderia na final, para o Vélez. O Palmeiras, de fato, assumiu o posto de melhor time do país e seria bicampeão brasileiro meses depois, mas a Libertadores não foi conquistada. O São Paulo de Telê não deixou.

Dá para chamar de freguesia? Sem dúvida. É o confronto brasileiro que mais se repetiu no torneio, em quatro edições diferentes. Não estamos falando de uma ou duas partidas.

Isso pesa? Esta é a grande dúvida. Geralmente, história não entra em campo. Mas precisamos somar à estatística histórica o confronto de mata-mata mais recente entre eles: a vitória do São Paulo sobre o Palmeiras na final do Paulistão, que tirou o clube do Morumbi de uma incômoda fila de nove anos sem títulos.

São três vitórias são-paulinas e três empates nos últimos seis jogos entre os dois. Só uma vitória verde nos últimos dez confrontos (um período já de dois anos e meio).

Hoje, o Palmeiras tem mais time e é mais sólido. Na vitória sobre a Católica, ontem, jogou bem, com intensidade e criação. Deveria ter goleado. E é o líder do Brasileiro.

O São Paulo, por outro lado, derrapou muito após aquela conquista paulista. As lesões se amontoaram, os resultados cessaram e a confiança só pôde ser resgatada por causa da vitória espetacular sobre o Racing, terça, na Argentina. Crespo arriscou na escalação, a aposta foi bem sucedida e é lógico que isso ajuda a sequência do trabalho.

Os confrontos pela Libertadores só serão disputados daqui a três e quatro semanas. Antes, eles se enfrentarão pelo Brasileiro (31 de julho). O Palmeiras fará três jogos (pega Fluminense e Fortaleza, além do rival paulista) e terá semanas cheias para trabalhar e recuperar, enquanto o São Paulo segue na maratona e terá cinco jogos a disputar (Flamengo, Palmeiras e Athletico-PR no Brasileiro e dois confrontos contra o Vasco pela Copa do Brasil).

Ou seja, até lá o Palmeiras poderá estar mais forte ainda (ou não). O São Paulo poderá ter dado sequência à recuperação (ou não). Jogadores podem se lesionar, outros podem se recuperar. Daniel Alves estará de volta, com medalha olímpica no peito (ou não).

O futebol brasileiro é muito dinâmico. Aconteça o que acontecer nas próximas três semanas, o Palmeiras chegará ao confronto com o peso de ser o atual campeão e de ter contra si a história de desgostos contra um de seus maiores rivais. Se a freguesia será quebrada ou não, caberá aos jogadores dos dois times definir. Não estarão em campo tantos craques, como naquele confronto de 1994. Mas as camisas têm o mesmo peso de então.

TODOS OS CONFRONTOS PELA LIBERTADORES:

30/3/1974 - fase de grupos
São Paulo 2 x 0 Palmeiras
Morumbi, gols de Terto (2)

24/4/1974 - fase de grupos
Palmeiras 1 x 2 São Paulo
Palestra Itália, gols de Ronaldo (P), Mauro Madureira (SP) e Chicão (SP)

27/4/1994 - ida das oitavas
Palmeiras 0 x 0 São Paulo
Pacaembu

24/7/1994 - volta das oitavas
São Paulo 2 x 1 Palmeiras
Morumbi, gols de Euller (SP) e Evair (P)

18/5/2005 - ida das oitavas
Palmeiras 0 x 1 São Paulo
Palestra Itália, gol de Cicinho

25/5/2005 - volta das oitavas
São Paulo 2 x 0 Palmeiras
Morumbi, gols de Rogério Ceni e Cicinho

26/4/2006 - ida das oitavas
Palmeiras 1 x 1 São Paulo
Palestra Itália, gols de Edmundo (P) e Aloísio (SP)

3/5/2006 - volta das oitavas
São Paulo 2 x 1 Palmeiras
Morumbi, gols de Aloísio (SP), Rogério Ceni (SP) e Washington (P)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL