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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

De Bruyne-dependência? Astro faz Bélgica vencer outra na Eurocopa

De Bruyne comemora gol marcado para a Bélgica diante da Dinamarca pela Eurocopa - Stuart Franklin/Getty Images
De Bruyne comemora gol marcado para a Bélgica diante da Dinamarca pela Eurocopa Imagem: Stuart Franklin/Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

17/06/2021 15h01

A seleção da Bélgica é forte, fortíssima. Mas inspira menos confiança que em outros anos. Talvez isso se deva ao fato de De Bruyne e Hazard chegarem "baleados" à Eurocopa. Mas não só.

Kompany se aposentou depois da Copa de 2018. A idade vai chegando para todos, Witsel perdeu fôlego, Mertens perdeu velocidade e, claro, Hazard não é sombra do que foi.

Nesta quinta, contra a Dinamarca, a Bélgica foi completamente dominada no primeiro tempo. Os donos da casa (o jogo teve 25 mil pessoas nas arquibancadas em Copenhague) fizeram um gol logo no início e deveriam ter ampliado.

Mas aí veio a campo De Bruyne, no intervalo, e a Bélgica ganhou vida. Uma arrancada (daquelas) de Lukaku acabou em assistência de De Bruyne para o gol do Hazard mais novo, Thorgan. Depois, um passe de Eden Hazard, que entrara aos 15min do segundo tempo, acabou em um petardo espetacular de De Bruyne para virar o jogo.

Com o craque do Manchester City, tudo mudou para a Bélgica em campo. E aí nos lembramos que esse time tem Lukaku voando, tem Courtois, tem Tielemans. Enfim, tem muito material humano ali.

A realidade é que o empate seria o resultado mais justo para a partida. No fim, a Dinamarca ainda teve quatro chances claras para empatar, deixando em evidência a incapacidade de a Bélgica se defender bem em um momento derradeiro da partida. Foram 22 finalizações da Dinamarca na partida contra somente 6 da Bélgica.

Mas os três pontos ficaram para o time de De Bruyne. A Bélgica será primeira do grupo e a Eurocopa se desenha com um possível duelo entre belgas e italianos nas quartas de final, se a água correr naturalmente para o mar - futebol é futebol, claro, são apenas projeções.

Eu acredito que o auge desta geração belga já passou. Ela fez uma Copa-2014 honesta, depois decepcionou na Euro-2016, caindo diante de País de Gales. E foi semifinalista da Copa-2018, o que não é pouco, deixando o Brasil pelo caminho. Ali, para mim, era o ápice coletivo desta turma. Mas vamos lá, Messi também não está mais no auge e segue sendo Messi.

A Bélgica pode ser campeã da Europa? Pode. Mas ficou muito claro hoje que, acima da coletividade, estão mesmo os indivíduos. Gente como De Bruyne, Lukaku e Hazard terá de se mostrar à altura de um feito épico.

A Dinamarca perde mais uma, mas ainda respira. Depois da quase tragédia com Eriksen (aliás, os aplausos de todos, incluindo os jogadores belgas, aos 10min de partida, foram emocionantes), o time mostrou reação hoje. Na última rodada, jogará em casa contra a Rússia e uma vitória pode deixar a Dinamarca na segunda colocação do grupo - o natural é a Finlândia perder da Bélgica. Com três pontos, é possível entrar também como terceira colocada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL