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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Três razões para acreditar e outras três para duvidar da Itália na Eurocopa

Ciro Immobile celebra gol da Itália contra a República Tcheca - Reprodução/Twitter
Ciro Immobile celebra gol da Itália contra a República Tcheca Imagem: Reprodução/Twitter
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

11/06/2021 04h00

Como uma seleção que não se classificou para a última Copa do Mundo pode ser considerada uma das favoritas para a Eurocopa? Bem, todos sabemos como é a Itália. Das grandes potências históricas do futebol mundial, a Itália sempre foi a mais capaz de surpreender - positiva ou negativamente.

Hoje, às 16h, a Azzurra abre a Eurocopa-2021 contra a Turquia. O jogo será em Roma, uma das 11 sedes espalhadas pelo continente, e o hino italiano será cantado fortemente por alguns milhares de privilegiados que poderão estar no Olímpico. Não é um jogo fácil, a Turquia é uma das candidatas a surpreender na competição.

Por que acreditar na Itália? Por que não acreditar? Será que a Azzurra conseguirá quebrar o tabu de mais de 50 anos sem ser campeã da Europa?

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR

São oito vitórias seguidas sem sofrer um gol sequer. Uma campanha 100% nas eliminatórias. Uma invencibilidade de 27 jogos - quase três anos. Ou seja, depois do fracasso e da ausência na Copa da Rússia, a Itália acertou na aposta em Roberto Mancini. A reconstrução do time ocorreu e deu certo, com a chegada forte de jovens com Barella e Chiesa.

Um time que não perde é um time que leva poucos gols. Chiellini tem 36 anos, Bonucci tem 34. Estamos falando de dois zagueiros experientes, que se conhecem e que trazem a hierarquia necessária para uma equipe jovem do meio para frente (e mesmo para trás, já que Donnarumma, o goleiro, tem só 22 anos. Se o físico permitir e a dupla passar a Eurocopa ilesa de lesões, a Itália tem uma garantia atrás de fazer inveja a qualquer seleção do mundo.

O terceiro motivo tem nome e sobrenome: Lorenzo Insigne. O baixinho do Napoli vive o auge da carreira aos 30 anos e fez 19 gols na Série A, sua melhor marca pessoal. É um jogador dinâmico, que atua da esquerda para dentro, mas que pode aparecer em qualquer posição do ataque. Movimenta-se muito bem, tem chute de fora da área, passe e classe. Se Insigne funcionar, a Itália vai funcionar junto.

TRÊS RAZÕES PARA DUVIDAR DA ITÁLIA

Lesões tiraram da Euro Sensi e Pellegrini e as condicões físicas de Verratti são sempre acompanhadas de vários pontos de interrogação. Ou seja, o setor de meio de campo está inteiro comprometido antes mesmo de o torneio começar. Mancini terá de encontrar soluções para fazer o meio funcionar e ajudar Barella.

É verdade que são 27 jogos de invencibilidade. Mas quantos mesmo contra seleções boas? Pois é. A realidade é que a jovem seleção de Mancini não passou por testes verdadeiros e a realidade pode ser dura demais quando começar a competição.

Apesar da carreira consistente, Mancini nunca se notabilizou pela criatividade. Na primeira fase, a Itália irá enfrentar adversários compactos, que gostam de jogar fechadinhos. Como furar? Em algum momento da Eurocopa, o técnico terá de ousar, arriscar, pensar grande. Mancini estará à altura?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL