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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Eurocopa-2021: França é a grande favorita, mas não faltam postulantes

Benzema e Mbappé, astros da França na Eurocopa-2021 - Reprodução
Benzema e Mbappé, astros da França na Eurocopa-2021 Imagem: Reprodução
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

10/06/2021 16h38

Não há muito como negar. A França começa a Eurocopa-2021 como grande favorita ao título. É a campeã do mundo, tem o jogador mais badalado da atualidade, Mbappé, e ainda tirou um coelho da cartola: resgatou Benzema, um centroavante magnífico, que possivelmente teve a melhor temporada da carreira, para atuar na posição mais carente do time.

Em todos os sites de apostas, a França é destacada favorita para ficar com o título. E é natural que seja assim.

O curioso, porém, é que há um grupo grande de seleções que vem logo atrás e colocadas meio que em pé de igualdade pelos algoritmos que fazem as previsões esportivas: Inglaterra, Bélgica, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha. Apostar que ingleses ou belgas ficarão com o título dá um retorno um pouquinho menor do que as outras citadas. Mas essencialmente o que vemos é o seguinte movimento: há uma favorita clara, mas há outras seis seleções que são reais postulantes a ficar com a Euro.

Qualquer coisa que fuja disso seria uma grande zebra. Mas convenhamos. Geralmente um torneio como este tem duas, três, no máximo quatro candidatas fortes. E não sete.

O equilíbrio é imenso, e as interrogações também. O grupo F tem França, Alemanha e Portugal juntos, com a Hungria como coadjuvante. Quatro dos seis terceiros colocados passarão para as oitavas de final. Com 4 pontos, a probabilidade de avançar em terceiro é altíssima. Com 3 pontos, já é um negócio bem arriscado. Não é impossível que alguma das três seleções fique pelo caminho logo na primeira fase.

Estamos falando de um futebol europeu muito nivelado, sem seleções fora-de-série e em tempos de pandemia - com desfalques, situações inusitadas que podem surgir ao longo do torneio, viagens longas, enfim. Não é a Euro mais fácil de se prever.

Assim como a Croácia chegou à final da Copa do Mundo, por que não acreditar que uma Dinamarca ou uma Polônia possa fazer algo grande na Euro? É mata-mata. Ou melhor, é só mata. É futebol, com todas as suas características que já conhecemos, em uma era global e pandêmica. Qualquer coisa pode acontecer.

Mas não podemos simplesmente nos escorar nisso na hora de analisar o torneio.

Portugal tem uma seleção excepcionalmente talentosa, mais até do que a campeã em 2016. Mas Cristiano Ronaldo está cinco anos mais velho, e Fernando Santos não me parece ser o técnico com melhor perfil para gerenciar tanto talento.

A Inglaterra tem uma seleção forte, já foi à semifinal em 2018. Mas é a Inglaterra...

A Alemanha tem uma seleção que não empolga, que fracassou na Copa, que levou 6 da Espanha recentemente. Mas é a Alemanha...

A itália tem uma seleção jovem, mas que já se encontrou. A Espanha tem uma seleção jovem, mas que ainda parece precisar de tempo. A Bélgica vem batendo na trave nos grandes eventos e pode estar chegando a hora dela - mas pode também já ter passado da hora.

É uma competição curta e equilibrada. Mas uma seleção boa em todas as posições, que tem Kanté, que tem o talento de Pogba, a explosão de Mbappé, a qualidade de Griezmann, o coração de Benzema, que sabe o que é ser campeã... um time assim tem que ser considerado favorito.

Cabe agora à França fazer valer o favoritismo. E, aos outros, derrubá-la.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL