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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Atlético de Madri campeão! O quarto milagre de Diego Simeone

Jogadores do Atletico de Madri e Diego Simeone celebram título espanhol - JUAN MEDINA/REUTERS
Jogadores do Atletico de Madri e Diego Simeone celebram título espanhol Imagem: JUAN MEDINA/REUTERS
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

22/05/2021 14h56

O Atlético de Madri é campeão espanhol. Foi de virada, foi com sofrimento, como sempre. Como tem que ser quando se trata de Diego Simeone e de Atlético. Enfrentando um fraquíssimo Valladolid, que acabou rebaixado, o Atlético acabou o primeiro tempo perdendo, mas virou a partida com gols de Correa e Suárez.

O coração colchonero só não sofreu tanto assim porque o Real Madrid levou um gol do Villarreal no primeiro tempo e nunca conseguiu ameaçar a virada até os instantes finais, quando chegou ao 2 a 1. Ou seja, ao longo dos 90 minutos neste sábado, o Atlético sempre teve o título na mão, mesmo enquanto perdia.

É o quarto milagre de Diego Pablo Simeone González, o maior personagem da história do Atlético. Talvez não haja, em toda a Europa, uma figura tão importante para um clube tão importante. Simeone é para o Atlético o que é Renato para o Grêmio. Herói como jogador, herói como treinador.

Diego assumiu o clube 10 anos atrás, no fim de 2011, no meio da temporada. O Atlético tentava se encontrar. Anos antes, estava jogando a segunda divisão. Tentava se firmar como terceira força no país. A mudança de patamar veio com a chegada de um cara que participara, em 1996, da maior temporada da história do clube - título espanhol e da Copa do Rei. Um cara que sabia o que era o clube. Que entendia o perfil da torcida e o caminho a trilhar.

O primeiro milagre de Simeone foi conquistar o título da Europa League poucos meses depois de chegar. O segundo, no ano seguinte. Em 2013, o Atlético foi campeão da Copa do Rei em pleno Santiago Bernabéu, em cima do Real Madrid, com um gol de Miranda. Aquele título foi o que mudou completamente o status, a confiança, a crença de que o Atleti estava de volta. O terceiro milagre foi ser campeão espanhol em 2014, quando Real e Barça dominavam tudo com uma sobra nunca d'antes vista.

Podemos chamar as finais de Champions League de milagres? Em 2014 e 2016, o Atlético ficou a um passinho de ganhar a Europa. Caiu, para imensa tristeza de sua torcida, para o Real Madrid. Uma na prorrogação, outra nos pênaltis. Não chamarei de milagre. Perdeu, no fim.

E Simeone sabe que ganhar é ganhar. O futebol é ganhar. Sofrendo ou não, com beleza ou não, com estética ou não. O futebol é ganhar.

E o Atlético ganhou. É o campeão espanhol. Eu achava que, com o atual elenco, o Atlético precisava de algo mais. Precisava ir além de Simeone. Eu estava errado.

Simeone amplia sua lenda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL