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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

São Paulo e Palmeiras chegam à encruzilhada e devem usar titulares domingo

Liziero comemora o segundo gol do São Paulo contra a Ferroviária - Marcello Zambrana/AGIF
Liziero comemora o segundo gol do São Paulo contra a Ferroviária Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/05/2021 23h26

Com o calendário esmagado pelos dirigentes (em primeiro lugar) e pela pandemia (em segundo), chegou o momento da encruzilhada para São Paulo e Palmeiras. Usar ou não usar titulares nas semifinais de domingo?

A resposta parece óbvia: os dois terão de usar os titulares. O Palmeiras, na semifinal contra o Corinthians. O São Paulo, na revanche diante do Mirassol.

O São Paulo preferiu usar reservas contra o Rentistas, pela Libertadores, para priorizar o Paulistão. O clube quer e precisa do título, mesmo que seja o menos importante da temporada, para sair de uma incômoda fila de 9 anos sem conquistas - já são 16 no estadual.

Natural, pois, que os titulares voltem a campo no domingo, contra o Mirassol. Mas aí entram várias questões. Uma: jogadores voltando a campo menos de 48 horas depois, o que coloca todo mundo em risco de lesão. A segunda questão: na terça, tem jogo contra o Racing pela Libertadores. E o São Paulo, ao contrário do Palmeiras, não tem nada garantido na competição continental.

É verdade que a classificação está praticamente garantida. Mas, se perder para o rival argentino, o São Paulo acabará passando como segundo colocado e terá de decidir a vida no mata-mata, a partir de julho, fora de casa. Um empate deixará a primeira posição para o saldo de gols, provavelmente.

Ou seja, o jogo contra o Racing está longe de ser irrelevante. E não será possível usar titulares na sequência de sexta-domingo-terça.

O Palmeiras, por outro lado, sabe que o duelo de terça-feira, contra o Defensa y Justicia, não vale nada. A primeira colocação do grupo na Libertadores já está garantida.

É natural que, após utilizar reservas durante todo o Paulistão, inclusive na vitória por 1 a 0 sobre o Bragantino, nesta sexta, Abel Ferreira jogue com força máxima no domingo, contra o Corinthians.

O português não é bobo e sabe da importância do clássico de domingo contra o maior rival. É exatamente quando o Paulistinha vira Paulistão de novo. Em termos de utilização de atletas, as coisas se encaixam. Usar titulares no domingo e reservas na terça permite à comissão técnica palmeirenses dar o devido descanso e respeitar os intervalos.

Onde está a encruzilhada, então? Oras. E se os titulares perderem justamente quando entrarem em ação, na semifinal, e justamente contra o Corinthians? O Palmeiras perde o álibi de ter tratado o Paulistinha como Paulistinha o tempo todo.

É Paulistão e sempre foi Paulistão para o São Paulo, que é o clube com a responsabilidade do título - mas a Libertadores fica pendurada. Era Paulistinha e vai virar Paulistão para o Palmeiras - agora é aguentar o tranco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL