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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Red Bull atrapalha prova de Verstappen, e Hamilton não perdoa erros

F1: Após marca de 100 poles, Hamilton chega à vitória número 98 - Divulgação
F1: Após marca de 100 poles, Hamilton chega à vitória número 98 Imagem: Divulgação
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

09/05/2021 11h47

Assim como havia feito na primeira prova da temporada, a Red Bull voltou a errar. Praticamente tirou as chances de vitória de Max Verstappen, que, na pista, fez seu papel. Ultrapassou Lewis Hamilton na largada, se manteve em primeiro durante todo o GP da Espanha, tentou sustentar a estratégia equivocada da equipe, mas acabou em segundo lugar.

Em Barcelona, a estratégia de duas paradas no box é a melhor. Mas a Red Bull achou que pudesse vencer a corrida mantendo Verstappen com pneus velhos, com 40 voltas de uso, parando uma vez só. E não foi só isso. A primeira parada do holandês foi horrorosa, demorando o dobro do tempo do que deveria ser o padrão.

Era difícil vencer, mas a Red Bull teve duas chances de ajudar Verstappen fazer valer sua largada perfeita. Quando Hamilton parou pela segunda vez, antes do previsto, o holandês poderia ter entrado para fazer sua segunda troca na volta seguinte, voltando na liderança e em igualdade de condições em termos de pneus.

Depois, uma vez perdida esta janela, a Red Bull poderia ter feito a segunda troca de Verstappen a mais ou menos 12 voltas do fim, colocando pneus macios e permitindo ao holandês caçar a primeira posição de Hamilton. Não fez nem uma coisa nem outra.

Não sabemos se daria certo fazer uma coisa ou outra, o que sabíamos era que não daria certo ganhar com uma parada apenas. Passivamente, deixou seu piloto na pista com pneus destruídos. Quando Hamilton chegou, passou com tranquilidade para assumir a primeira posição e ganhar a corrida.

O heptcampeão não perdoa. Hamilton teve inteligência para, ao ser ultrapassado na largada, recuar e evitar uma batida entre eles. Depois, seguiu a estratégia bem escolhida pela equipe e fez seu papel na pista. Quando os outros erram, não há como combater a hegemonia do inglês.

Para Verstappen combater Hamilton, ele precisa ser perfeito e precisa também contar com acertos de sua equipe. Hoje, só o holandês fez a parte dele.

Nos outros combates, Leclerc foi muito melhor do que Sainz. Acabou em quarto, com o espanhol em sétimo com a outra Ferrari. Ricciardo, afinal, conseguiu ser melhor que Norris no duelo das McLarens. O australiano foi o sexto, com o jovem inglês em oitavo. No meio desta turma, acabou Pérez, em quinto, com a outra Red Bull.

Muita diferença? Somente na Alpine. Ocon, com a estratégia de uma parada, acabou em nono lugar e somou pontos. Fernando Alonso, correndo em casa, só terminou à frente dos carros da Haas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL