PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

Palmeiras não vai ser Bayern. Tem que ter cuidado para não ser Bayer!

Willian lamenta lance de Flamengo x Palmeiras, jogo do Brasileirão 2020 - Andre Borges/AGIF
Willian lamenta lance de Flamengo x Palmeiras, jogo do Brasileirão 2020 Imagem: Andre Borges/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

22/01/2021 04h00

O Palmeiras, convenhamos, não fará uma temporada de Bayern de Munique. Ganhar tudo, aquilo que nunca foi feito, a tríplice coroa dos três maiores torneios disputados por clubes brasileiros... Não vai rolar.

Por mais maluco que o Brasileirão seja, é um campeonato entrando na reta final. Com a derrota para o Flamengo, o Palmeiras ficou em quinto lugar - tanto nos pontos ganhos quanto perdidos. É muita gente à frente que precisaria tropeçar e, além do mais, é bem provável que Abel Ferreira poupe muitos jogadores dos próximos dois confrontos, que antecedem a grande final da Libertadores.

Aliás, na minha opinião o Palmeiras deveria criar sua próprio bolha e se isolar do mundo de hoje em diante. Ninguém que estará no Maracanã no dia 30, seja jogando, seja trabalhando no clube, deveria ficar exposto ao vírus. Uma quarentena bem feita até o dia da decisão seria a atitude correta a se tomar.

Até para o Palmeiras, que queria ser o Bayern das Américas, não correr o risco de ser o Bayer de 2021.

Não entenderam? Eu explico. Em 2001/2002, o Bayer Leverkusen montou um time brilhante, com Ballack, Zé Roberto, Lúcio e mais gente muito boa. Transformou-se no primeiro clube a chegar a uma final de Champions League sem nunca ter conquistado o título doméstico de seu país.

Na reta final da temporada, aquele Bayer Leverkusen liderava a Bundesliga com cinco pontos de vantagem, estava na final da Champions e da Copa da Alemanha. Era a chance da tríplice coroa. No Alemão, duas derrotas nos últimos três jogos permitiram ao Borussia Dortmund ser campeão. Na Copa, 4 a 2 para o Schalke na final. E na Champions, apesar de fazer um jogo tremendo, o Bayer perdeu por 2 a 1 para o Real Madrid, o jogo em que Zidane fez o gol mais bonito de sua carreira e, possivelmente, das finais europeias. Três vice-campeonatos e o apelido de "Neverkusen". O tudo virou nada.

É claro que a situação é diferente. O Palmeiras nunca teve o Brasileirão nas mãos, como aquele Bayer. E não será azarão na final continental, contra o Santos. Aliás, é mais time que o Santos e que o Grêmio, rival na Copa do Brasil. Mas são finais, adversários duros, qualquer resultado é normal. É importante preservar o elenco inteiro pensando na decisão do Maracanã, a mais importante em duas décadas para o clube.

OK, não deu para ser Bayern. Mas não ser Bayer é bom.