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Podemos confiar na geração inglesa?

Phil Foden é o "queridinho" de Guardiola no Manchester City e já está na seleção inglesa - Getty Images
Phil Foden é o "queridinho" de Guardiola no Manchester City e já está na seleção inglesa Imagem: Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

04/09/2020 19h10

Mais uma competição começa e mais uma vez precisamos falar sobre a Inglaterra. Favorita ou não? Favorita só na cabeça deles ou favorita de fato? Os jovens atuais são bons para valer ou nem tanto?

A Inglaterra, talvez por ter a liga mais forte do mundo e, claro, ser a "inventora" do jogo, é sempre considerada. Por lá, eles parecem não ter muita noção de como está posicionada no mundo da bola a seleção inglesa da vez. Às vezes, acham que é boa demais (e caem do cavalo, como nesses anos todos de Rooney-Lampard-Gerrard). Às vezes, acham que são ruins demais e se surpreendem (como na Copa de 2018).

O fato é que a Inglaterra fez a coisa certa desta vez e, imitando o que já fazem há anos franceses, espanhóis, alemães, belgas, portugueses, holandeses, enfim, todos os europeus, o país passou a investir forte na base. Método, treinos, filosofia. Já deu resultados. Em 2017, os ingleses ganharam os Mundiais sub-17 e sub-20 - nunca haviam chegado nem às finais dessas competições -, além do Europeu sub-19.

Surge, então, uma geração bastante promissora. Uma Copa do Mundo surpreendente, uma classificação para a Euro contundente. Ao mesmo tempo em que a Espanha está em transição, a Itália tenta se encontrar, Portugal vai ter que buscar logo logo a vida pós-Cristiano Ronaldo, a geração de ouro belga já não é tão novinha. Bem, estão aí a Alemanha, como sempre, e a França, com uma seleção campeã do mundo.

A Inglaterra pode ser considerada favorita a algo? O início da Liga das Nações vai nos mostrar o início do caminho a ser percorrido até chegarmos à Euro, que ficou para 2021, e a Copa, no final de 2022.

Eu acredito que sim, que a Inglaterra é candidata. A tal geração tem bons nomes de fato. Alexander-Arnold do Liverpool é o melhor lateral direito da atualidade, vamos ver o que será na seleção. Foden é o menino de ouro de Guardiola. Sancho explodiu no Borussia Dortmund. "Greenwood talvez seja o melhor de todos", analisa Duncan Castles, jornalista escocês muito conceituado e grande conhecedor do nosso jogo predileto.

"Ele chuta com as duas pernas, finaliza muito bem e faz a vida dos goleiros um inferno", fala Castles sobre o rapaz de 18 anos que joga no Manchester United e foi uma das relevações da temporada. Greenwood foi convocado pela primeira vez para a seleção principal, que estreia na Liga das Nações nesta sábado, às 13h, contra a Islândia. O grupo tem também a Bélgica e a Dinamarca.

Até o técnico, Gareth Southgate, é um expoente desta nova geração. Foi o técnico sub-21 de 2013 a 2016, até chegar à seleção principal - sem nunca ter feito um trabalho importante como treinador em clubes europeus.

A pergunta lá de cima é: dá para confiar? Eu acho que desta vez há mais elementos para responder "sim". Veremos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL