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Julio Gomes


PSG é campeão, mas sem gols. A vida de Neymar é dura sem Mbappé

Neymar disputa bola com Marcelo Guedes durante PSG x Lyon, na final da Copa da Liga da França - Ricardo Nogueira/Eurasia Sport Images/Getty Images
Neymar disputa bola com Marcelo Guedes durante PSG x Lyon, na final da Copa da Liga da França Imagem: Ricardo Nogueira/Eurasia Sport Images/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

31/07/2020 19h10

Título e preocupação. O Paris Saint-Germain conquistou, nos pênaltis, a Copa da Liga Francesa. Não é o mais importante da temporada, mas ganhou peso devido às circunstâncias. A chance de jogar com o time titular a poucos dias da retomada da Champions League.

Nos 120 minutos de jogo, 0 a 0 entre Paris e Lyon, outro time que vai disputar a Champions em agosto. O PSG foi melhor, sem dúvida, e exigiu grandes defesas do goleiro Anthony Lopes. Mas, se o jogo servia para ver como reagiria o time à ausência de Mbappé, sua outra estrela, fica uma preocupação no ar.

Sem Mbappé, o Paris fica muito mais dependente de Neymar. Não falo apenas de lances decisivos, de grandes jogadas individuais ou brilhantismos. O fluxo de jogo fica mais óbvio, o que facilita as coisas para o adversário. É muito diferente olhar para Neymar e Mbappé em campo ou olhar "só" para o brasileiro.

Neymar tem a grande chance de se consagrar melhor do mundo, o protagonismo é todo dele. Mas as coisas são mais difíceis sem seu melhor parceiro.

E o resto do time não está à altura. Di María tem uma carreira consistente, é capaz de decidir algum jogo, mas não faz isso com muita frequência. Icardi depende da construção dos meias, e os meias estão em campo para dar suporte a Neymar, não para decidir.

Mbappé é o jogador que pode trazer tantas coisas no campo. Tem explosão, velocidade, drible, desmarque, inteligência acima da média, processo decisório refinado. Assim como Neymar. É muito melhor ter dois desses, um ajuda o outro pelo simples fato de estar em campo.

É claro que as duas finais de Copa, contra o Saint-Étienne, quando Mbappé se lesionou, e contra o Lyon, nesta sexta, preocupam. Mostram um Paris sem ritmo e sem tempo para se acertar antes do duelo contra a Atalanta.

Já a equipe italiana, por outro lado, está jogando o fino desde a volta do calcio e neste fim de semana tem a chance de acabar com um histórico vice-campeonato, caso vença a Inter de Milão. É um dos melhores ataques da Europa e está a apenas 2 de chegar a uma marca inacreditável: 100 gols na Série A. Não é um dos melhores ataques por causa dos talentos individuais, mas porque joga para atacar, se divertir e meter gols. É tático. É filosófico.

A defesa do PSG fica em segundo plano quando olhamos para os craques na frente, mas é um sistema muito bom, é um duelo que promete. Se a Atalanta deixar espaços, Neymar pode encontrar caminhos que não encontrou contra o bem armado time do Lyon. Mas, sem Mbappé, é difícil imaginar qualquer time do mundo não concentrar os esforços de destruição em cima de Neymar.

Desde que o dinheiro do Catar passou a jorrar nos cofres de Paris, em 2011, o clube conquistou sete títulos da Ligue 1, cinco da Copa da França e, agora, outras seis Copas da Liga da França. Um domínio total.

Só que o que importa, já sabemos, é conquistar a Europa.

Julio Gomes