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A Benzema o que é de Benzema. Francês do Real Madrid foi melhor que Messi

Benzema comemora gol do Real Madrid contra o Alavés, pelo Campeonato Espanhol - GABRIEL BOUYS / AFP
Benzema comemora gol do Real Madrid contra o Alavés, pelo Campeonato Espanhol Imagem: GABRIEL BOUYS / AFP
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

18/07/2020 04h00

Foram anos e anos à sombra de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Pela TV, viu a seleção francesa ser campeã sem ele - se é que viu. Talvez Karim Benzema pudesse ter sido mais. Talvez pudesse ser mais valorizado do que é. Talvez a culpa seja nossa.

Mas chegou a hora de dar a Benzema o que é de Benzema. O valor. O reconhecimento.

Karim foi melhor que Messi na temporada 19/20 da Espanha. Melhor do que qualquer outro atacante. Foi o melhor de todos. A peça ofensiva que carregou nas costas um Real Madrid cheio de alternativas (dúvidas?) no setor. Não importava se estava lá Vinícius ou Rodrygo ou Hazard ou quem quer que fosse. O francês funcionou com todos e ajudou todo mundo a funcionar.

Benzema sempre foi um grande companheiro para Cristiano Ronaldo no Real Madrid, mas, por motivos óbvios, seu bom trabalho sempre ficou em segundo ou terceiro plano. Um camisa 10 disfarçado de 9, dizem. Destes jogadores capazes de criar e concluir, de assistir e finalizar. Se precisar, capazes de fazer alguma função tática daquelas que chamam pouco a atenção, mas são fundamentais para o funcionamento de um time.

O trabalho de Casemiro no meio, o trabalho de Benzema na frente. Poucos holofotes, muita importância.

Com a saída de CR7, chegou a hora de chamar a responsabilidade. E ele chamou. Na atual temporada, são 21 gols e 8 assistências para um Real Madrid que se notabilizou mais pela defesa sólida do que por um jogo ofensivo brilhante. Benzema está a dois gols de Messi e tentará a artilharia na rodada derradeira, neste domingo.

Se tirarmos da conta os gols de pênalti, Benzema e Messi fizeram os mesmos 18 na Liga. Basta pensar nos tantos pênaltis convertidos por Sergio Ramos na reta final e logo perceberemos que o francês poderia estar facilmente no topo da lista.

O golaço contra o Valencia e a brilhante assistência de calcanhar para Casemiro contra o Espanyol foram as fotografias mais belas da temporada de Karim.

Um cara de 32 anos, há 11 no Real Madrid, que ganhou tudo no clube - e já havia conquistado muitos títulos com o Lyon antes. Destes jogadores sempre contestados pela mídia e torcedores, mas nunca pelos técnicos.

O título do Real Madrid tem, sim, a cara de Sergio Ramos. Foi a "Liga de Ramos", como já disse aqui no blog. Mas foi também a Liga de Benzema.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL