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Julio Gomes


Volta a Champions League e a maior chance de Neymar virar rei da Europa

Lesionado e sem jogar pelo PSG, Neymar foi à Alemanha para lançar grife de roupa própria  - REUTERS/Thilo Schmuelgen
Lesionado e sem jogar pelo PSG, Neymar foi à Alemanha para lançar grife de roupa própria Imagem: REUTERS/Thilo Schmuelgen
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

17/02/2020 11h43

Resumo da notícia

  • Mata-mata da Champions League começa nesta terça-feira
  • PSG enfrenta o Borussia Dortmund, um time que joga e deixa jogar
  • Tirando o Liverpool, futebol europeu está nivelado. É a chance para Neymar mostrar a que veio

Finalmente, acabou a espera. Esses meses entre o fim da fase de grupos e o início do mata-mata da Champions League talvez sejam os mais agoniantes da temporada, mais até do que as férias. Mas, enfim, a partir desta semana começa o supra sumo do futebol de clubes no planeta.

Nesta terça, jogam Atlético x Liverpool, em Madri, e Borussia x Paris, em Dortmund. Na semana que vem, entram em campo os outros favoritos a título: Bayern, Barcelona, Real Madrid, Juventus, Manchester City. Estamos falando de uma Champions imprevisível, em que apenas um se destaca.

O Liverpool, sem dúvida, é o time a ser batido. Líder disparado da Premier League, atual campeão europeu, com o melhor técnico, melhor goleiro, melhor zagueiro, dono do jogo mais agressivo e estável, cheio de confiança. Mas o mata-mata é o mata-mata, e o caminho do Liverpool já começa difícil, apesar da má temporada do Atlético de Madrid.

Bayern e Juventus não são tão dominantes na Alemanha e Itália como ao longo da década, Real e Barça também tropeçam, até o Manchester City demonstra certa instabilidade. Neste cenário, precisamos lembrar de um tal Paris Saint-Germain.

O PSG passa a primeira metade da temporada ganhando do jeito que quer na França e tentando desviar das balas fora de campo - Neymar, Mbappé, Cavani, Di María, Icardi... a turminha é boa de bico e polêmica.

Nos últimos anos, havia um punhado de times mais fortes e preparados que o PSG, a começar pelos gigantes espanhóis. Nos últimos anos, era impossível não colocar os times de Messi e Cristiano Ronaldo no topo da lista de favoritos. Agora, é diferente. A coisa está mais nivelada.

É a grande hora para Neymar. Se ele quer mesmo, e sabemos que quer, ser considerado o número 1 do mundo, a hora é agora - e não sei se haverá outra. Até porque, pensando em premiações individuais, anos sem Copa do Mundo são anos em que a atuação pelos clubes conta mais.

Neymar começou a temporada sob desconfiança, vaias e xingamentos, após forçar um retorno ao Barcelona. Respondeu com futebol. Pela primeira vez desde que chegou a Paris, vem sendo notícia mais pelo que faz no campo do que fora dele - ainda que a recente festinha de aniversário em véspera de jogo não tenha caído bem com o técnico.

No ano retrasado, participou da partida de ida contra o Real Madrid, mas estava machucado na volta. No ano passado, novamente desfalcou o time contra o Manchester United. Duas eliminações precoces em oitavas de final.

Vamos lembrar que o Paris foi lá pagar 200 e tantos milhões de euros para Neymar ganhar a Champions para o clube, não para dar carretilha em jogador medíocre de time pequeno da Côte D'Azur. A conta pendente dele com o clube está neste torneio, que "começa" agora.

O confronto contra o Borussia Dortmund não é passeio, estamos falando de um clube também acostumado às fases agudas da Europa, que joga em um estádio sempre lotado e que disputa o título de uma das ligas mais competitivas do mundo. Mas a responsabilidade está toda do lado do Paris, e os holofotes voltados para Neymar e Mbappé.

Desde a tradicional pausa de inverno do futebol alemão, o Borussia Dortmund marcou 24 gols em 6 jogos, uma impressionante média de quatro gols por partida (tomou 11, também é bastante). O tal garoto Haland, norueguês que veio do Red Bull Salzburg, meteu 9 destes 24 gols. Tem só 19 anos e é a revelação da temporada europeia até agora.

Logicamente o PSG tem um desafio defensivo importante, mas também terá espaço e oportunidades para fazer muitos gols. E fazer gols fora de casa é importantíssimo em competições com as regras da Champions League.

Com dor ou sem dor, é a hora de Neymar mostrar a que veio.

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Julio Gomes