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Paquetá no Milan: por que tantos jogadores brasileiros batem e voltam?

Lucas Paquetá, durante jogo do Milan - Mattia Ozbot/Soccrates/Getty Images
Lucas Paquetá, durante jogo do Milan Imagem: Mattia Ozbot/Soccrates/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

24/01/2020 16h10

Resumo da notícia

  • Paquetá está sem espaço no Milan e quer sair
  • Não é um caso inédito. O que faz tantos brasileiros baterem e voltarem?

O grande Menon está trazendo um furo atrás do outro. Paquetá está encostado no Milan, com crises de ansiedade, e quer sair. A solução, parece, será algum empréstimo.

A pergunta que faço é: por que tantos jogadores brasileiros, ao longo das últimas décadas, passaram pelo mesmo processo?

Eu não subestimo nem chamo de "mimimi" casos de depressão, crise de ansiedade, etc. Espero que Paquetá saia logo dessa. Tem que tratar com cuidado (se for mesmo um problema médico, e não um problema apenas de jovem mimado que não tem o que quer).

Mas a sequência "explode no Brasil - é negociado para fora - não consegue jogar - tenta sair correndo do clube" não é exatamente uma novidade. Acabou de acontecer com Gabigol, por exemplo.

Ao mesmo tempo, é verdade, tantos outros brasileiros chegam chegando. Ou chegam, superam dificuldades e brilham (vejam o caso recente de Fabinho no Liverpool, ainda que ele já estivesse na Europa havia algum tempo).

Mas não são poucos os casos dos que não dão certo. E a "solução" quase sempre passa por ir embora, em vez de lutar pelo espaço, mudar o estado de coisas, ter paciência.

Vivemos uma era em que todos querem tudo para ontem. E, no caso específico de jogadores de futebol, são criadas verdadeiras bolhas. Dentro dessas bolhas, com o jogador no centro, estão familiares e staff - empresários, advogados, "parças". Dentro dessas bolhas, os problemas são sempre tratados da seguinte maneira: a culpa é do outro. Seja o outro um técnico, um país, um diretor de clube, enfim. O que, cá entre nós, não ajuda nada na evolução do esportista e do ser humano.

Qual será a verdadeira razão para tantos baterem e voltarem? Porque não são tão bons quanto imaginamos? Ou porque não sabem lidar com as dificuldades?

Paquetá quer estar na seleção. E, para estar na seleção, precisa estar jogando.

Oras, estar na seleção passa por estar jogando bem (não só jogando). Ter carreira na seleção passa por estar jogando bem por muitos anos e em time bom. Será que sair do Milan correndo não vai comprometer todo o resto da carreira de Paquetá? Será que, para ele, a "redenção" seria tão fácil, como foi para Gabigol? E fechar o mercado europeu, será uma boa decisão?

O ideal seria que o jogador tivesse todo o apoio psicológico possível para superar seus problemas. Pouco a pouco, que resgate o futebol e trabalhe, trabalhe duro, e com muita paciência, para triunfar no Milan. Se for emprestado para algum europeu, mesmo que pequeno, que agarre a chance com unhas e dentes.

Não é a saída mais rápida nem mais fácil. Mas é a mais duradoura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL