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Julio Gomes


Troca de técnico rara é tentativa de Barcelona reencontrar raízes

Lionel Messi comemora após marcar pelo Barcelona contra o Mallorca - David S. Bustamante/Soccrates/Getty Images
Lionel Messi comemora após marcar pelo Barcelona contra o Mallorca Imagem: David S. Bustamante/Soccrates/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/01/2020 19h36

Resumo da notícia

  • Valverde não tinha a cara do Barcelona
  • O clube tem Messi, mas não ganha a Champions
  • Não encanta, não empolga, não apaixona. O Barça busca um reencontro

Ernesto Valverde não é mais técnico do Barcelona. Ao contrário do que acontece em muitos clubes, inclusive grandes europeus, é muito raro o Barça trocar de treinador no meio da temporada.

Lembro-me bem de 07/08, quando Rijkaard não tinha mais a menor condição de seguir, mas ainda assim foi mantido. O Barça, dos gigantes europeus, foi um dos que mais cometeu erros infantis nos bastidores em relação a técnicos e jogadores (Ronaldo, Figo e outros), mas vinha melhorando.

A questão é que a atual direção do clube sabe bem pouco do riscado. A própria contratação de Ernesto Valverde mostra isso.

Quem está surpreso com o fato de o time não ter o "estilo" que agrada o público barcelonista? Não haviam visto os trabalhos de Valverde antes? É um técnico diferente do "padrão Barcelona" e, isso, todos os que acompanham futebol já sabiam ou deveriam saber.

Valverde ganhou duas Ligas espanholas. Muito bem, parabéns. Não foram exatamente inesquecíveis e o maior rival, o Real Madrid, vivia a profunda transição de fim de ciclo, com direito a saída de Cristiano Ronaldo. Foram títulos que lembraram os do próprio Madrid em 07 e 08, quando era o Barça que vivia fim de ciclo. Títulos "esquecíveis".

Inesquecíveis, essas sim, foram as viradas sofridas para Roma e Liverpool na Champions League. Vexames, falando o português claro.

O Barça viveu exclusivamente de Messi nos dois anos e meio com Valverde, foi Messi-dependente como nunca antes. E assim seguia nesta temporada, mas já contra um Real Madrid melhorzinho, ou seja, com chance boa de não ganhar nada.

A tentativa de trazer Xavi (fico surpreso com a recusa) e a busca de Quique Setién são apenas uma correção de rota. O estilo importa, sempre importou. O Bétis de Setién jogou bonito, venceu o Barça no Camp Nou um ano e pouco atrás e está claro que seu nome foi anotado em algum caderninho.

Valverde é ex-jogador do Barça, Setién, não. Mas as raízes não estão nas pessoas, estão nas ideias.

O Barcelona vai vendo o tempo passar e, mesmo contando com o ET que é Messi, ganhou só uma das últimas oito Champions League. É pouco, claro que é. Mais do que não ganhar, o Barça já não encanta, não chama a atenção, não apaixona.

Setién cai no clube dos sonhos, com o jogador dos sonhos e com um resgate a fazer. Pode dar certo.

Julio Gomes