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Treinar de máscara me deixava com dor de cabeça. Mas é a melhor opção

Maicon Andrade, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no taekwondo, de máscara antes de treinamento - Arquivo pessoal
Maicon Andrade, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no taekwondo, de máscara antes de treinamento Imagem: Arquivo pessoal
Diogo Silva

Diogo Silva foi campeão mundial universitário, medalhista de ouro dos Jogos Pan-Americanos e participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012 no taekwondo. Hoje, faz parte do grupo de rap Senzala Hi-Tech.

12/08/2020 04h04

No mês de julho, o prefeito Bruno Covas autorizou a reabertura das academias na cidade de São Paulo. As regras pedem delimitação de espaços, redução de público e de horas de funcionamento, higienização constante e o uso de máscara.

E aí está o problema. Treinar de máscara é bem difícil. Sufoca, dá impressão de falta de oxigenação, é incomodo. Mas, no momento, é a alternativa que temos para continuar cuidando da saúde e do corpo em espaços coletivos.

Lembro que, na minha fase de atleta de alta performance, eu utilizava máscara de simulação de altitude durante os treinos para simular a restrição de oxigênio — no vídeo abaixo, uma avaliação física minha usando o equipamento. Acreditava-se que ela ajudaria a criar no corpo, uma capacidade de produzir mais glóbulos vermelhos no sangue, muito comum no corpo dos velocistas como Usain Bolt, por exemplo.

Embora o objetivo desse treino fosse melhorar a capacidade de transporte de oxigênio para os músculos, ou seja, continuar com respostas musculares sem fadiga e ganhar mais resistência, no fim, a realidade é que além de não conseguir aumentar nem a quantidade de glóbulos, nem a resistência, eu ficava exausto, com dor de cabeça, ânsia de vômito e um mal-estar daqueles.

Para o público comum que faz algum tipo de atividade física e já cansava rápido durante os treinos ou caminhadas, o uso da máscara pode gerar experiencias como essas.

Muitas academias de pequeno porte, que dão aula de taekwondo, muay thai, pilates e yoga, por exemplo, apenas não declararam falência graças às adaptações das aulas virtuais. Porém, muitos estabelecimentos estão endividados até o pescoço, se virando para abrirem suas portas e se adaptarem ao novo modelo de reabertura.

Os professores, que antes poderiam dar aula para 30 alunos de uma vez só, hoje, com as novas recomendações, reúnem no máximo dez alunos por vez — e com sorriso no rosto, porque de portas fechadas estavam bem pior...

Neste cenário, muitas pessoas optaram por treinar em casa. Só que treinar em casa requer muita disciplina e espaço, duas coisas que a maioria dos paulistas não tem.

As moradias populares na capital têm em média 50 metros quadrados — fora as quitinetes, que podem ser menores ainda. Contando móveis e outros objetos no espaço, com sorte, sobra um corredor estreito ou um buraquinho entre a sala e o banheiro.

Nunca ficamos tanto tempo sem movimentar o corpo e passamos a entender que, além da necessidade de comer e ganhar dinheiro, o movimento é extremamente importante. Importante para diminuir o stress, para relaxar, para impedir o atrofiamento dos músculos, para nos locomover. Enfim, para ter qualidade de vida.

Para algumas pessoas, músculo é sinônimo de vaidade e estética. Mexer o peitoral no espelho ou conquistar o bumbum na nuca resume o sucesso nos tempos de treinos virtuais.

A atividade física deveria ser um hábito, mas poucas pessoas o têm. Os índices de sobrepeso no Brasil são altíssimos. Nessa mesma data, há um ano, 50% da população já estava em sobrepeso — 20% dos adultos são obesos. Entre as crianças, esses números vêm crescendo cada vez mais. Cde 5 a 9 anos representam 13% dos obesos e, no pós-pandemia, esses números podem ser ainda maiores.

Os dados sobre obesidade infantil são tão alarmantes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2025, o número de crianças obesas no planeta atinja 75 milhões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.