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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Cartola que xingou Casagrande diz à Justiça que vacina opcional era imposta

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

25/11/2021 04h03

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-GO, Jovair Arantes, disse à Justiça que a vacina da Conmebol foi uma imposição para a equipe participar da Copa Sul-Americana, quando na verdade a imunização não era obrigatória. A explicação aconteceu em ação movida pelo comentarista Walter Casagrande, que foi xingado pelo cartola de "viciado" e "imbecil" depois de criticar a postura do Atlético-GO ao vacinar-se antecipadamente pelo programa oferecido pela confederação sul-americana - o dirigente diz que não quis ofender.

"Aos clubes de futebol brasileiros eram impostos a condição de que para participarem das competições internacionais (contatos com jogadores de outros países já vacinados), portanto os mesmos deveriam se vacinar", disse o dirigente, em contestação enviada em processo movido pelo comentarista da TV Globo.

Jovair justificou ter chamado Casagrande de "imbecil" pois entende que o comentarista "carece de informação, pois em momento algum o time Atlético-GO somente pensa em dinheiro, muito menos burlaria o sistema de imunização, haja vista que a imposição de os times brasileiros serem vacinados partiu da Commebol".

No dia 7 de maio, o Atlético-GO optou por receber as vacinas da Conmebol em solo paraguaio, o que gerou polêmica. Isso porque a própria entidade havia dito, em comunicado, que "a vacina não é obrigatória de forma alguma e o jogador que optar por não ser imunizado não será penalizado ou excluído das competições".

Assim, a atitude do time goiano foi encarada por algumas pessoas como um "fura fila" da vacinação, num momento em que o Brasil vivia o auge de mortes em meio à pandemia de covid-19, assim como o Paraguai, país onde o Atlético-GO recebeu os imunizantes, era o pior do continente em percentual da população vacinada, com menos de 2%.

Walter Casagrande foi um dos que criticaram publicamente a atitude do time rubro-negro, em participação no Globo Esporte.

"Desde o começo da pandemia, os dirigentes brasileiros só pensaram neles, no jogo e no dinheiro. Num país como o nosso já morreram mais de 400 mil pessoas porque o Governo Federal não comprou vacinas e pessoas continuam morrendo por falta de vacinas", afirmou, na ocasião. Desde então, o Brasil já superou a marca dos 600 mil óbitos por Covid-19.

As falas do comentarista foram rebatidas por Jovair, que atacou o ex-jogador do Corinthians.

"Se perguntassem se buscar cocaína no Paraguai era bom, ele falaria que é, porque ele é viciado em droga e não está acostumado com preparo físico, com respeitar vidas, com preservar vidas", disse o cartola, que também chamou o desafeto de "imbecil".

Na Justiça, Casagrande cobra R$ 17 mil em danos morais. No processo, o comentarista falou sobre as ofensas de Jovair. Ele classificou que taxá-lo hoje em dia como um usuário de droga é uma mentira, já que não consome drogas, faz tratamento de saúde e concede palestras sobre o tema para que outros não se viciem.

"No caso de um vício, quando alguém ofende ou "tira sarro" perante toda uma nação, ele não está atingindo um único indivíduo e sim contribuindo para que muitos doentes bloqueiem seu tratamento por vergonha de como a sociedade os verá", disse o comentarista na ação.

Em contestação, Jovair disse que só "afirmou o que o próprio Casagrande sempre afirma, 'que era drogado'!". E que pesquisas no Google mostram que o comentarista sempre recorda dos vícios e problemas que teve. Assim, entende que o próprio sempre refere a si mesmo como alguém que era viciado. Por fim, analisou que "imbecil" não é insulto.

Jovair defendeu que Casagrande ofendeu a moral do Atlético-GO e que "vários clubes se posicionaram que aceitariam ser vacinados pela Conmebol, como Atlético-MG, Ceará e outros". No dia anterior à imunização do Atlético-GO, porém, o Fluminense havia declarado publicamente que não aceitaria as vacinas da Conmebol na ocasião. O Inter também foi contra.

O dirigente ainda é investigado pelo Ministério Público de Goiás por suposto peculato durante a vacinação contra a Covid-19. O ex-deputado, que é cirurgião-dentista, é suspeito de ter sido vacinado sem observar as normas de prioridade na vacinação, já que não exerce a profissão regularmente.

Na época em que ele recebeu a primeira dose da vacina, o Estado de Goiás estava vacinando apenas as pessoas mais idosas. A suposta conduta de "furar a fila" é considerada pelo MP como "de extrema gravidade".

Em contato com a coluna, Jovair admitiu que a vacina recebida pelo time goiano não foi uma imposição da Conmebol.

"A Conmebol disponibilizou para que todos os times pudessem vacinar e o Atlético vacinou. Foi opção do clube. E o Casagrande fez essa imbecilidade. A opinião só vale para alguns, não para todos? Esse senso de Justiça está distorcido. Ele pode falar o que quer e fica por isso mesmo? Não posso defender minha opinião?", disse Jovair.

"Fizemos um favor ao nosso país, pois economizamos vacinas que poderiam ir a outras pessoas. Não furamos fila nenhuma. Onde está o crime nisso? Se tivéssemos burlado internamente, aí sim, seria crime, mas não cometemos, ao contrário. A vacina evitou que nosso time trouxesse problemas ao Brasil", acrescentou.