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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sem vacina e mau perdedor, Medina é a grande decepção das Olimpíadas

27.jul.2021 - Gabriel Medina após derrota na disputa da medalha de bronze - Lisi Niesner/Reuters
27.jul.2021 - Gabriel Medina após derrota na disputa da medalha de bronze Imagem: Lisi Niesner/Reuters
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

06/08/2021 04h00

Alçado a status de ídolo brasileiro com o bicampeonato mundial de surfe - sendo, inclusive, o primeiro do país a ter levantado o troféu -, Medina mostrou sua fama de mau perdedor em Tóquio. Fez feio ao sair da água e sequer esperar para cumprimentar o conterrâneo Italo Ferreira, medalhista de ouro. E piorou a história ao revelar que não se vacinou.

O que leva um cara do tamanho de um Medina a reclamar que ficará de fora da etapa do Mundial de surfe por falta de vacina? Ainda meteu um "sacanagem", para deixar a situação ainda mais ridícula. O UOL o procurou o dia inteiro, sem resposta. Parece coisa de negacionista mesmo, que não se imunizou porque não quis. Oportunidades não faltaram. O COB disponibilizou vacina, incluindo segunda dose, para todos os atletas que foram para as Olimpíadas de Tóquio.

Mas, para Medina, o intocável, aparentemente, não era necessário. Deve ser imune ao vírus. E estamos falando do mesmo sujeito que deu show por não deixarem a namorada acompanhá-lo a Tóquio. Alguém sabe se o invencível Gabriel vive em um mundo paralelo ao nosso, onde não existe pandemia de covid-19 e mais de 4,2 milhões de reles mortais perderam a vida por nada?

Dentro da água, Medina é um monstro. É inegável o talento do atleta que lidera com folga o Circuito Mundial e caminha a passos largos rumo ao tricampeonato, se dando ao luxo de ficar de fora uma etapa para seguir líder. Nas Olimpíadas, só não fez a final com Italo porque foi prejudicado pelos árbitros, que supervalorizaram um aéreo de seu adversário.

Mas, fora dela, Gabriel é um completo babaca. Ninguém avisou ao menino que, nos Jogos Olímpicos, os atletas não representam a si mesmos, mas sim aos seus países? É compreensível ter ficado chateado pela derrota, mas nada justifica não ter ficado na praia para cumprimentar outro brasileiro que fez história no esporte que ambos praticam.

Ao contrário de Medina, nosso medalhista de ouro olímpico foi vacinado a Tóquio. Assim como Silvana Lima. Mas qual foi a motivação do "invencível" Gabriel para não receber a imunização? Faltou explicar aos seus 9 milhões de seguidores no Instagram.

Convenhamos, não poderíamos esperar nada diferente de quem, como o amigo Neymar, apoia o presidente genocida. Tomara que o Italo o vença também no Mundial...

Em tempo: Posteriormente, horas após a publicação, em suas redes sociais, o surfista citou a "agenda de treinos" e o foco no Campeonato Mundial de Surfe como motivos que o impediram de "encaixar a imunização". Acrescentou que "em breve" vai se vacinar.

Dito isso, ficou claro que, sem dúvidas, o Italo Ferreira surfa em outro planeta, com uma agenda de treinos mais tranquila, por isso vacinou antes. Já onde o Medina disputa, o título mundial representa mais que o luto de 561 mil famílias brasileiras. Prioridades...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL