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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lavieri: Cruzeiro vai ser grande teste para SAF em clubes grandes do Brasil

Torcida do Cruzeiro - Flickr/Cruzeiro
Torcida do Cruzeiro Imagem: Flickr/Cruzeiro
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

08/12/2021 11h36

O Cruzeiro vai ser o primeiro clube de massa a tentar usar a lei que estimula a transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol. Ainda cumprindo trâmites burocráticos, a equipe de Belo Horizonte tem tudo para ser o marco na história do futebol por aqui: resta saber se para o lado bom ou ruim.

É verdade que já há exemplos de clubes-empresas como Red Bull Bragantino e Cuiabá, mas nenhum dos deles com a história e o peso da torcida como no caso dos mineiros.

Como mostrou Rodrigo Mattos em seu blog no UOL, a Raposa já até pediu à CBF para transferir a sua vaga na Série B para a empresa que ganhou CNPJ recentemente para poder avançar no processo de venda. A questão é: será que os investidores vão querer executar a compra sem ter poder de gestão?

Tudo indica que não. Foi o que já entendeu o Cruzeiro, que vai levar o tema para debate no seu Conselho para que mais de 49% do clube seja vendido. E essa é uma das maiores barreiras no Brasil. Até mesmo em mudanças mais simples, como a de permitir que associados votem, os conselheiros dos times mais tradicionais do país mostram receio.

Eles não querem perder o controle do clube que acostumaram a chamar de seu, mesmo que isso signifique manter o poder na mão de 200 ou 300 pessoas enquanto a torcida chega perto dos 20 milhões, como é o caso do São Paulo que passa por uma tentativa de mudança de estatuto para perpetuar o mesmo grupo no comando.

Por aqui, os clubes enquanto associações permitem que o futebol tenha a influência direta de pessoas que frequentam a sede social e passam a vida barganhando cargos como o de diretor da piscina do tênis e da bocha. E no fim eles conseguem, porque para virar presidente um outro conselheiro vai precisar do apoio desse. Eventualmente, por promessas políticas, eles até ganham poder no futebol e aí é difícil lembrar de algum exemplo no futebol atual que deu certo nesse modelo.

Para um investidor colocar milhões e milhões de dólares em um clube, ele não vai querer saber se o vice-presidente é da situação ou da oposição. Pouco vai se importar para a opinião do diretor de judô. Ele vai querer ter controle sobre o que vão fazer com o dinheiro dele e isso significa acabar com todos os mimos que existem hoje em dia na política de clubes no Brasil.

Para além da oposição dos conselheiros, ainda há a resistência da torcida, como acontece em várias partes do mundo. Há sempre aqueles que não gostam da ideia de ver o seu clube centenário sendo passado para a mão de ricos. No Vasco, por exemplo, há vários protestos contra a possível mudança para a Sociedade Anônima de Futebol. A questão é que essa pode ser a única saída para esses times quebrados continuarem existindo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL