PUBLICIDADE
Topo

Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lavieri: Corinthians não pode brigar pela ponta, e culpa não é de Sylvinho

Sylvinho em treino do Corinthians - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Sylvinho em treino do Corinthians Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

24/10/2021 04h00

O Corinthians vive tempos de pressão no terço final do Campeonato Brasileiro. Há os que apostam em demissão de Sylvinho em caso de derrota para o Internacional hoje (24), mas em uma análise fria é possível cravar que a culpa do momento não é do técnico.

Na verdade, a equipe de Parque São Jorge tem elenco para brigar exatamente onde está brigando: logo abaixo do G4. O Alvinegro tem menos qualidade no plantel em relação a Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo. Estar atrás deles é completamente normal.

E aí resta a briga com Red Bull Bragantino, Inter e Fortaleza. A grande diferença entre eles é que o elenco dos concorrentes já está mais consolidado e tem um padrão de jogo que o Alvinegro, que recebeu seus principais jogadores há menos tempo, ainda não conseguiu.

O Bragantino ainda tem uma outra peculiaridade: um elenco muito mais jovem. Quando foi ao mercado, o foco da equipe do interior de São Paulo era contratar atletas que ainda poderiam despontar e têm potencial de revenda, como Artur e Cleiton, por exemplo.

A questão é que, por conta da média de idade dos principais atletas, o time vai conseguir jogar em alta intensidade muito mais vezes do que o Corinthians. E isso faz uma diferença gigantesca em um campeonato longo.

Além da idade de nomes como Renato Augusto (33), Giuliano (31) e Willian (33), está em jogo também o histórico recente deles. Os dois primeiros vêm de um mercado periférico, onde o nível técnico e físico é muito abaixo do que se tem no Brasil. Já o terceiro estava em uma das principais ligas do mundo, mas afastado do time e sem ritmo de jogo. Agora, está no departamento médico.

A espinha dorsal da equipe ainda tem Gil (34), Fábio Santos (36), Cássio (34) e Fagner (32), que também jogam a média etária do time titular lá para cima. Até Roger Guedes, que tem só 25 anos, ainda precisa encontrar o melhor ritmo depois de voltar da China. São poucas exceções, como Hulk, que conseguem vir de campeonatos mais fracos mantendo o nível técnico alto.

Por fim, o Corinthians ainda sofre com escolhas erradas da administração de Andrés Sanchez, que tinha Duílio Monteiro Alves como homem forte do futebol. Com várias contratações caras, com baixo nível técnico e de longa duração, o time ainda precisa lidar com atletas que não têm qualidade para levar o time ao topo e não pode ir ao mercado para evitar que o buraco financeiro aumente.

Quando assumiu a equipe, Sylvinho via o Corinthians com risco de rebaixamento. Agora, consegue fazer sua equipe brigar por coisa maior. Claro que ainda há o que melhorar, e o técnico pode ser criticado. Mas ele está longe de ser o principal responsável pela inconsistência corintiana.

Siga também as opiniões de Danilo Lavieri no Twitter e no Instagram

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL