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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Casas de apostas dominam futebol e patrocinam 19 dos 20 clubes da Série A

São Paulo carrega o sportbet.io como seu principal patrocinador na camisa - Staff Images/Conmebol
São Paulo carrega o sportbet.io como seu principal patrocinador na camisa Imagem: Staff Images/Conmebol

Colunista do UOL

14/08/2021 04h00

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Os nomes de casas de apostas estão dominando o futebol brasileiro. A todo momento, você é impactado por anúncios com ex-jogadores nos principais canais de televisão, vê placas de publicidade nos gramados e agora perceberá que 19 dos 20 times da Série A também têm patrocínios do ramo.

O último a entrar no grupo foi o Juventude, que fechou com a Marsbet para estampar o seu calção e deixou o Cuiabá isolado como único time da Série A a não ter um acordo individual deste tipo.

Os acordos têm diferentes aspectos e alguns não podem aparecer no uniforme, como é o caso do Palmeiras, que dá exclusividade para a Crefisa na camisa. A alternativa neste caso é ativar a parceria com a Dafabet no site, no estádio e em outras ações nas redes sociais, por exemplo.

Há, no entanto, uma forte presença também como patrocinadores principais. O Atlético Goianiense, que nos últimos dias anunciou a Amuleto Net, faz companhia ao Bahia (Casa de Apostas), Atlético-MG e Fluminense (Betano), Sport (Galera.bet) e São Paulo (Sportsbet.io).

"Vemos um cenário favorável para esse mercado não apenas relacionado às formas de patrocínios, mas em ações junto aos clubes, como fizemos com Bahia e Vitória, além de ativações com nosso parceiro de mídia televisiva", aponta Hans Schleier, diretor de negócios da Casa de Apostas, que também é máster na camisa do Vitória, que está na Série B.

Recentemente, Denilson virou garoto propaganda da Sportsbet.io, e Cafu, da Rivalo. O Sportingbet também já patrocinou diversos atletas de modalidades diferentes.

Mercado pode crescer após regulamentação

O mercado de apostas ainda não é totalmente regulamentado por aqui. Em dezembro de 2018, o governo federal sancionou a Lei 13.756/2018, autorizando o então chamado Ministério da Fazenda a criar regras para o licenciamento da exploração de apostas esportivas de quota fixa no Brasil. De acordo com o portal do próprio governo, a modalidade seria um serviço público exclusivo da União, cuja exploração comercial ocorreria em todo o território nacional, em quaisquer canais de distribuição comercial, físicos e também em meios virtuais.

A previsão aqui no Brasil era que essa legislação entrasse em vigor em 2019, mas foi postergada para 2020 e ainda aguarda um ponto final.

Para o advogado de direito desportivo Eduardo Carlezzo, especialista neste nicho, a expansão de patrocínios do mercado de apostas já era esperada, apesar de ainda não ser totalmente regular.

"É interessante constatar que essa forte expansão nos patrocínios ocorre em meio a um mercado sem regulamentação, para não dizer irregular. Isso porque, embora uma lei datada do final de 2018 tenha aberto a porteira para a regulação das apostas esportivas, para sua plena efetividade depende de um processo de concessão que anda a passos lentos no governo federal e que muito provavelmente não sairá neste ano. Com isso, perdem todos: perde o governo, com a geração de impostos, perde a economia, com a geração de negócios e empregos, e perdem também os clubes, já que com um mercado licenciado no Brasil teríamos aqui também os grandes operadores globais patrocinando os clubes, o que fatalmente teria a capacidade de aumentar os valores envolvidos nestas transações".

Recentemente, quando venderam os direitos de transmissão para o exterior, os clubes preferiram não incluir o streaming para casas de apostas no mesmo pacote. A ideia era que o mercado poderia crescer muito mais com a lei sancionada. Por causa disso, inclusive, o vencedor da concorrência mudou.

A análise de Pedro Trengrouse, professor em gestão esportiva na FGV e também especialista neste mercado, vai na mesma direção da feita pelos clubes.

"Com uma regulamentação inteligente, os impactos podem ser grandes. É um mercado cujo potencial é muito maior do que as loterias arrecadam hoje, principalmente pelo maior engajamento de consumidores jovens e porque representa uma nova forma de experiência com o esporte. Além disso, o país pode ter novas receitas tributárias, fontes de financiamento para causas públicas, criação de postos de trabalho, aumento da competitividade no mercado lotérico, novas ofertas de opções de lazer, ampliação de políticas de jogo responsável, promoção de medidas de integridade no esporte e atração de investimento estrangeiro."

A expectativa, agora, é que os clubes consigam aumentar as receitas conforme o mercado for avançando. "O Fortaleza foi um dos precursores neste modelo de parceria, e hoje ele é uma realidade não apenas no Brasil, mas a nível mundial. Não vejo esse tipo de patrocínio apenas como um vetor de investimento, mas também de engajamento por meio de outras plataformas digitais e interação junto aos torcedores", explicou o presidente do clube cearense, Marcelo Paz.

"As empresas de apostas trouxeram novas oportunidades de patrocínios para os clubes, possibilitando entrantes no mercado brasileiro e oferecendo aos torcedores alternativas de engajamento com seus clubes", afirma Jorge Avancini, vice-presidente de marketing do Internacional.

Na Série A: 19 clubes
Dafabet (América-MG, Palmeiras e Santos)
Casa de Apostas (Bahia)
Betano (Atlético-MG)
Betmotion (Atlhetico PR)
Betsul (Ceará, Chapecoense, Fortaleza, Grêmio, Internacional)
NetBet (Red Bull Bragantino)
Sportsbet.io (Flamengo e São Paulo)
Betano (Fluminense)
Galera.bet (Corinthians e Sport)
Amuleto Bet (Atlético-GO)
Marsbet (Juventude)

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