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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atuação do Palmeiras no Mundial é alerta para quem quer seguir protagonista

Felipe Melo e Walter Bwalya, durante a partida entre Palmeiras e Al Ahly - Picture alliance via Getty Images
Felipe Melo e Walter Bwalya, durante a partida entre Palmeiras e Al Ahly Imagem: Picture alliance via Getty Images
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

11/02/2021 14h08

O Palmeiras sofreu muito mais do que devia na partida de hoje contra o Al Ahly nesta quinta-feira (11). Isso não apaga em nada a excelente temporada do Alviverde, com título da Libertadores, do Paulista e final da Copa do Brasil, mas serve de alerta para diretoria, comissão e torcida se o time quer continuar sendo protagonista em todas as competições que disputa como foi em 2020. Serve também de recado para como será gerida a agenda daqui até a decisão contra o Grêmio.

É possível encontrar uma série de justificativas para a queda de ritmo do time de Palestra Itália. Há um cansaço físico e mental em uma maratona não vista desde os anos 1960. O cansaço de ser campeão da Libertadores e menos de 10 dias depois já estar do outro lado do mundo. Há a falta de motivação de uma disputa de 3º e 4º.

É tudo verdade, mas ainda não o suficiente para justificar a dificuldade para vencer o Al Ahly. Não é à toa que nunca um sul-americano ficou em 4º depois de perder na semifinal no atual formato de Mundial.

O Palmeiras investe mais do que o dobro dos egípcios em salário, tem uma das melhores estruturas do Brasil, o maior patrocínio da América do Sul, a base mais vitoriosa do momento no país e foi o campeão da competição continental com a melhor campanha, o melhor ataque e a melhor defesa.

A dificuldade de hoje não significa que tudo precisa ser jogado no lixo. Pelo contrário: a evolução da equipe com a mudança da comissão técnica é elogiável e deu muitos frutos que ainda poderão ser usados no futuro próximo. Mas todas as conquistas também não impedem que a equipe de Abel Ferreira seja criticada. Há uma diferença entre apontar falhas e desdenhar de tudo o que aconteceu até aqui. E o português precisa saber lidar com isso.

No primeiro tempo, o Palmeiras foi mal em praticamente tudo o que tentou. Até Gustavo Gómez, que é um dos atletas mais regulares do elenco, parecia um pouco estabanado na hora de fazer seus combates. Rony e Viña foram os que mais conseguiram fazer algo produtivo, mas sozinhos eles não foram capazes de carregar a equipe inteira.

Na volta para a segunda etapa, o time brasileiro apresentou uma melhora considerável e passou a dominar as ações do jogo. Foram 20 minutos dominantes, que deveriam ser o o normal em um encontro como este. Depois, o ritmo da partida como um todo caiu. O Al Ahly só não abriu o placar porque novamente Weverton foi decisivo. Os egípcios ainda fizeram o gol no rebote, mas o impedimento foi marcado.

Abel só mudou com praticamente 35 minutos, colocando Danilo, Gabriel Menino e Gustavo Scarpa nos lugares de Raphael Veiga, Patrick de Paula e Willian. Do trio, o pior, de longe, foi o meio-campista ofensivo.

Mais uma vez, ficou claro que o Palmeiras tem, sim, um bom elenco, mas com algumas lacunas importantes que precisam ser solucionadas para que a equipe continue como protagonista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL