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As razões do Bulls para contratar lituano como novo chefão da franquia

Arturas Karnisovas - Divulgação Nuggets
Arturas Karnisovas Imagem: Divulgação Nuggets
Fábio Balassiano

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11/04/2020 05h03

Arturas Karnisovas é um dos melhores jogadores da história do basquete lituano. Com 2,04m, excelente técnica e bom arremesso de três pontos, foi tricampeão espanhol jogando pelo Barcelona, campeão italiano pelo Bologna e bronze olímpico em 1992-Barcelon e 1996-Atlanta.

Além disso, foi um dos primeiros estrangeiros a jogar nas universidades americanas na década de 90 (1990-1994 em Seton Hall). Após encerrar a carreira em 2002 se tornou scout internacional para o escritório da NBA entre 2003 a 2008 e logo em seguida ficou cinco anos no Houston Rockets na mesma função.

Sua carreira deu uma guinada a partir de 2013, quando se tornou assistente de gerente-geral no Denver Nuggets, onde foi peça fundamental no processo de reconstrução pelo qual a franquia passou nos últimos anos, se tornando uma das forças do Oeste tendo como base jogadores pinçados no Draft e em posições nem tão altas assim (Nikola Jokic, Jamal Murray, Gary Harris, entre outros).

Seu grande prêmio chegou neste período insano do coronavírus quando o Chicago Bulls o contratou como vice-presidente de basquete, abrindo mão (aleluiá!) de Gar Forman e John Paxson, o duo que tocava as operações de quadra da franquia há quase uma década e que foi responsável, sim, por montar bons times mas também destroçar a equipe nos últimos cinco anos. Jerry Reinsdord, e seu filho, Michael, demoraram horrores, mas cansaram e decidiram agir aproveitando este período sem jogos.

O objetivo de Reinsdorf, o mesmo dono que viu o Bulls de Jordan ser campeão seis vezes na década de 90, é recolocar a franquia nos eixos. Ele e Karnisovas, porém, sabem que o processo é longo, certamente tortuoso e com muito mais pressão que o lituano enfrentou em Denver, uma equipe média e sem nenhum título na história da NBA. Arturas, de todo modo, parece ter uma mente muito mais arejada que Paxson/Forman, conhece bastante o mercado internacional e tem acertado muito mais do que errado nas seleções dos últimos Drafts, onde o Chicago cansou de desperdiçar ou trocar escolhas como se não houvesse amanhã. É bem provável, inclusive, que Karnisovas traga alguém de sua confiança para treinar a equipe no lugar de Jim Boylen, treinador à moda antiga e cujos métodos estão longe de agradar aos mais novos do basquete atual.

A esperança em Chicago é que os bons momentos retornem, mas é muito claro que o lituano precisará de tempo - e um pouco de sorte, também. Fora da zona de playoff na atual temporada e com uma das piores campanhas da NBA (22-43), o lituano e o Bulls não sabem nem como será o próximo Draft - e nem como será a formatação para a decisão da ordem das escolhas por parte dos times. O que dá pra esperar, de cara, é uma mente mais aberta, voltada para o mercado internacional e também com métodos que deram certo em Denver que vão desde uma equipe de análise científica de primeira linha até um departamento de preparação física que é considerado um dos melhores da liga atualmente.

Sucesso para Karnisovas, um dos poucos estrangeiros a ocupar um cargo tão alto na história da NBA.

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