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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Novo livro, 'Blood in the Garden' conta a história de time icônico da NBA

O pivô Patrick Ewing e o técnico Pat Riley, nos tempos de Knicks nos anos 90 -  Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images
O pivô Patrick Ewing e o técnico Pat Riley, nos tempos de Knicks nos anos 90 Imagem: Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

21/01/2022 04h00

A história da NBA, assim como na vida, é contada pelos vencedores, sobre os vencedores. Times que conquistam títulos, derrotam seus adversários e dominam o esporte são marcados na eternidade, celebrados pelos seus feitos e realizações, aqueles que ficam no imaginário popular muitos anos depois de serem dissolvidos. Times icônicos como os Celtics de 1986, os Lakers de 1987, os Bulls de 1996 e tantos outros dificilmente teriam esse mesmo reconhecimento se não coroassem suas temporadas com um troféu, mas assim é a vida; só um pode ser campeão a cada ano, e os que conquistam essa glória merecem estar em um nível próprio de realização.

Mas o outro lado, e mais triste, é que muitas vezes isso significa que grandes times - times que marcaram época e fizeram história da sua maneira - mas não conquistaram o título tendem a ficar esquecidos ao longo dos anos, em segundo plano, até eventualmente se tornarem apenas uma memória passageira, suas contribuições e marcas quase apagadas da história. A história da NBA está cheia desses exemplos, e embora não seja exclusividade do basquete, ainda é um efeito triste no esporte que eu tanto amo.

No entanto, apesar desse efeito, você ainda encontra times que acabaram falhando na busca pelo título, times que deixaram uma marca e uma impressão tão forte a ponto de conseguiram sobreviver a esse destino. E um, em particular, ainda vive no imaginário popular com força, um time marcado por brigas e polêmicas, pelo jogo duro e atitude dominante, pelo papel de vilões e, sim, também pelas derrotas que sofreram, especialmente nas mãos de Michael Jordan: os New York Knicks dos anos 90, liderados pelos Halls da Fama Patrick Ewing e Pat Riley. Eles eram bons, como muitos outros times esquecidos, mas o como eles eram bons se destacava; era um time ultra-defensivo, físico e brutal, expressivo e intimidador. Seus jogadores eram personagens carismáticos e polêmicos, e suas histórias extra-quadra são quase tão famosas quanto seus feitos em quadra - incluindo o vice campeonato de 1994.

E esse time icônico e fascinante é o tema do novo livro que foi lançado essa semana, "Blood in the Garden: The Flagrant Story of the 1990's New York Knicks" ("Sangue em Quadra: A História Flagrante dos New York Knicks dos anos 90", em tradução livre), escrito pelo fantástico Chris Herring, da Sports Illustrated.

O livro, é claro, passa pelo que aconteceu dentro das quadras, e a história de como os Knicks passaram de duas décadas na irrelevância para se tornar um dos mais ferozes adversários do Chicago Bulls, eventualmente os campeões do Leste em 1994, e sua queda após a saída do técnico Pat Riley em 1995. Mas, muito mais interessante, são as histórias dos bastidores, que apresentam os personagens únicos dessa trajetória para o leitor com uma visão ao mesmo tempo compassiva, crítica e - precisa ser dito - profundamente hilária em algumas vezes. São inúmeras histórias e anedotas envolvendo os jogadores e comissão técnica que ajudam a pintar o cenário da mistura única de personalidades do vestiário dos Knicks, um passo fundamental para entender o que esse time fez e representou dentro de quadra.

Entre anedotas, entrevistas, acontecimentos e reconstruções, Herring faz um trabalho excelente não apenas de contar uma história, mas de te puxar para dentro dela e envolver o leitor enquanto esmiúça os mínimos detalhes. Como um dos felizardos que tiveram a chance de ler o livro na pré-divulgação, eu devorei a obra inteira em apenas dois dias, e o único problema do livro é que ele acaba. Mesmo para quem não viveu a experiência dos Knicks dos anos 90, mesmo para quem não tem nenhum vínculo pessoal com a franquia, é uma experiência que vale demais a pena de ser vivida. Os melhores livros não se limitam apenas a contar fatos e acontecimentos - para isso você pode simplesmente entrar na Wikipédia - mas trazem algo a mais, uma essência do autor e seus personagens que dão vida às palavras. Blood in The Garden faz isso com maestria, e é parte do que faz dele um dos melhores livros de NBA que eu já li e leitura obrigatória para qualquer fã do esporte.

A obra, pelo menos por enquanto, está disponível apenas em inglês, mas com vendas para o Brasil tanto na versão digital como na física. Você pode comprar o livro através da plataforma da Amazon, acessando o link abaixo:

BLOOD IN THE GARDEN: THE FLAGRANT STORY OF THE 1990' NEW YORK KNICKS

E, caso você tenha curiosidade de saber mais a respeito do livro e dos Knicks de 1990, recomendo também esses dois episódios especiais do podcast Na Era do Garrafão, sobre a história do basquete (e do qual eu faço parte), que nós contamos essa história para vocês na Parte 1, e fazemos uma entrevista (essa em inglês) com o próprio autor, Chris Herring, sobre o processo por trás de escrever o livro, suas opiniões sobre aquele time, e algumas histórias inéditas que ele descobriu escrevendo o livro.

PARTE I - A HISTÓRIA DOS KNICKS NOS ANOS 90 (Em português)
PARTE II - KNICKS DOS ANOS 90 E ENTREVISTA COM CHRIS HERRING (Em inglês)

Como alguém que tem sua própria coleção de livros sobre a NBA e sua história - na verdade, que chegou mesmo a escrever sua própria obra no tema - eu posso afirmar com tranquilidade que essa obra-prima vai valer a pena, e que você deveria garantir a sua versão o quanto antes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL