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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entenda os termos e funcionamento básicos para poder ver os jogos de NBA

12.12.20 - A cesta e o relógio durante o jogo entre Minnesota Timberwolves e Memphis Grizzlies  - Hannah Foslien/Getty Images
12.12.20 - A cesta e o relógio durante o jogo entre Minnesota Timberwolves e Memphis Grizzlies Imagem: Hannah Foslien/Getty Images
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

13/10/2021 04h00

Na segunda-feira, começamos um Especial NBA cujo propósito é apresentar o jogo na sua forma mais simples para quem está começando no esporte, e quer saber o básico para acompanhar a liga. Na primeira parte, falamos um pouco sobre o que é a NBA, como ela funciona, e seu formato de competição para dar um contexto da parte fora de campo. Agora, é hora de entrar em quadra e falarmos do jogo em si.

E, novamente, nós vamos fazer isso partindo bem do começo. Antes de entrar em detalhes sobre ataque e defesa - isso vem nas próximas partes - vamos primeiro falar do básico do básico: como funciona a dinâmica de um jogo de NBA, e quais os termos que você precisa conhecer para conseguir se localizar dentro de quadra.

Parte I - Conhecendo a NBA

Como funciona um jogo de basquete?

Para deixar claro, a ideia aqui NÃO é entrar nas regras do esporte em si. O que eu quero tratar aqui é sobre como funciona o andamento de uma partida de NBA, especialmente considerando que ele possui algumas diferenças significativas sobre outras ligas como o NBB, a NCAA, e o basquete FIBA em geral.

Um jogo de NBA é mais longo do que outros campeonatos: são quatro períodos de 12 minutos cada no total. A primeira posse de bola da partida é disputada no "bola ao alto"; depois disso, o time que perdeu a bola ao alto tem a posse de bola para começar o segundo e terceiro períodos, enquanto o time que venceu a disputa inicial recebe a bola no período final.

Outra parte extremamente importante do jogo da NBA é o relógio de arremesso, ou relógio de 24 segundos. Cada vez que inicia uma posse de bola nova, cada time tem 24 segundos para arremessar a bola, caso contrário perde a posse. Esse relógio volta para 14 segundos caso o time sofra uma falta ou a bola toque no aro e seja recuperada pelo ataque; caso seja recuperada pela defesa, configura uma nova posse, e o relógio volta a 24 segundos. Esse tempo "limite" para o time arremessar foi a forma encontrada pela NBA lá em 1954 para impedir que os jogadores gastassem tempo e o jogo ficasse estagnado.

Shot clock - Hannah Foslien/Getty Images - Hannah Foslien/Getty Images
Relógio de arremesso em cima da tabela
Imagem: Hannah Foslien/Getty Images

E, embora um jogo de basquete na NBA tenha 48 minutos totais, jogadores muito raramente atuarão em todos eles. Os técnicos estão constantemente substituindo e usando diferentes combinações de reservas e titulares ao longo da partida, tanto para manter seus jogadores descansados como para explorar as forças e limitações do seu elenco. Em geral, importa menos quem começa o jogo de titular, e mais quem termina o jogo - ou seja, quem está em quadra nos momentos decisivos. Você vai escutar muito falar na NBA em "sexto homem", que é basicamente um jogador que não começa entre os titulares mas tem minutos e responsabilidades de um, frequentemente terminando os jogos em quadra.

Outra coisa que parece confundir torcedores é a questão das faltas. Embora explicar exatamente o que é ou não uma falta seja difícil, a dinâmica delas é mais simples. Na NBA, se um defensor faz uma falta no jogador de ataque durante um movimento de arremesso, então é uma shooting foul e o jogador que sofreu a falta tem o direito de bater dois lances livres (ou três, se foi atrás da linha de três pontos). Se a falta for feita fora de um movimento de arremesso, no entanto, o ataque apenas ganha a lateral para repor a bola em jogo.

Mas existe um limite de faltas; a cada quarto, um time pode cometer no máximo quatro faltas coletivamente, sejam elas de arremesso ou não. A partir da quinta falta coletiva que um time comete, todas passam a ser consideradas faltas de arremesso e levam a lances livres para o adversário (faltas de ataque são um caso à parte e não contam como faltas coletivas). Quando isso acontece, dizemos que aquele time está "no bônus".

E, se um jogador sofrer uma falta no ato do arremesso E acertar a cesta, ele ganha os pontos normais do arremesso (seja de dois ou três pontos) e ainda ganha um lance-livre extra - o chamado "And one", ou "cesta-e-falta".

A quadra de basquete

A quadra de basquete parece simples o suficiente: quatro linhas marcando os limites de fundo e laterais, um arco que é a linha dos três pontos... não é tão complexo.

Quadra NBA - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Ainda assim, a quadra de basquete tem uma nomenclatura própria que é bastante usada no dia-a-dia do esporte, e é fundamental de ser entendida.

Tirando as linhas que delimitam a quadra em si, sua parte mais importante é a linha de três pontos.

NBA Três pontos - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Ela tem esse nome porque todos os arremessos dados de trás dessa linha valem três pontos, ao invés dos dois pontos normais. Conforme o jogo cada vez mais tem evoluído na direção dos chutes de três pontos (ou seja, arremessos dados de trás dessa linha), ela vem ganhando mais e mais importância na NBA.

Um termo associado importante que você vai ouvir muito também é "perímetro", como em "fulano é um bom jogador de perímetro" ou em "arremessos de perímetro". O perímetro nada mais é do que a parte da quadra de ataque que fica atrás da linha dos três pontos.

NBA perímetro - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Ultimamente, o termo perímetro virou quase sinônimo de bola de três pontos; então quando você ouvir que "tal time joga muito do perímetro", é porque ele executa suas ações atrás dessa linha e arremessa muito de três (ou "de fora").

Uma parte em especial do perímetro que merece destaque é a chamada "zona morta" - a região mais perto do fundo da quadra.

NBA zona morta - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Essa região se tornou tão importante na NBA por dois motivos: primeiro, porque é o lugar onde as bolas de três têm melhor aproveitamento, e portanto de onde os times buscam arremessar mais; segundo porque, colocando bons arremessadores nas zonas mortas, você obriga a defesa a se esticar muito mais para defender os arremessos - abrindo o interior para o resto do ataque. Esse efeito de obrigar a defesa a marcar o jogador atrás da linha dos três pontos para aumentar o espaço dentro dela é chamado de "espaçar a quadra", ou só "espaçamento".

O oposto do perímetro é o chamado garrafão: a região retangular que fica próxima à cesta. Ele também é chamado de área pintada, ou paint, pois geralmente é de uma cor diferente do resto da quadra.

Garrafão NBA - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

O garrafão serve um propósito prático: jogadores de ataque e defesa não podem ficar plantados dentro do garrafão, o que obriga o jogo a ser mais movimentado e menos estático. No entanto, o termo "garrafão" é mais usado de forma coloquial para indicar, de modo geral, a região próxima à cesta. Então quando alguém fala que um time precisa "jogar mais no garrafão", ele está querendo dizer que esse time precisa de mais arremessos perto da cesta, como bandejas ou enterradas. Da mesma forma, se você falar que alguém é um "jogador de garrafão", provavelmente está dizendo que ele é um jogador que não arremessa de fora e tende a jogar perto do aro.

Um lugar muito específico do garrafão, mas extremamente importante, é a chamada "área restrita" - a área imediatamente em volta da cesta, dentro desse pequeno semicírculo no chão.

Área restrita NBA - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Como arremessos tão perto do aro tendem a ter um aproveitamento extremamente alto, essa região é a mais importante da quadra, e o foco dos planos ofensivos E defensivos de quase todos os times: os ataques buscam levar a bola até esse ponto (seja para pontuar diretamente, ou para forçar a defesa a se movimentar passar para um chute de três pontos), enquanto a defesa tem como fundamento básico impedir que a bola e os jogadores adversários cheguem até esse ponto.

Também é comum falar em basquete de "meia quadra". O que é meia quadra? Bem, parece óbvio, mas...

NBA meia quadra - Luana Fernandes - Luana Fernandes
Imagem: Luana Fernandes

Mas o termo tem um uso mais prático. No basquete, o ataque começa sua jogada geralmente na sua quadra de defesa. Uma vez que a bola cruza o meio da quadra para lado do ataque, no entanto, ela não pode voltar mais para a quadra de defesa, o que "prende" os ataques a jogarem só em - como diz o nome - meia quadra.

Conceitualmente, vai um pouco além. Talvez não seja uma surpresa, mas não é fácil levar a bola até a cesta em um espaço apertado da quadra povoado por dez jogadores gigantescos (cinco de ataque e cinco de defesa). Quando um time consegue - por causa de um roubo de bola ou um rebote, por exemplo - sair em velocidade e puxar um contra-ataque, ele espalha esses dez jogadores por toda a quadra, e tem muito mais espaços para conseguir levar a bola até onde quer e pontuar com mais facilidade. Não à toa, o aproveitamento de times é muito alto nessas jogadas de contra-ataque, ou "transição".

Quando o time demora mais para levar a bola para o ataque (por exemplo, quando o adversário faz uma cesta) e a defesa tem tempo de se posicionar, o problema de espaçamento volta a afetar o ataque, e ele precisa em geral se esforçar muito mais a bola para conseguir bons arremessos em uma área menor da quadra, e os resultados tendem a ser inferiores. Nesse caso, falamos em "ataque de meia quadra", já que é o espaço que o ataque tem para trabalhar a bola nessas circunstâncias. Enquanto quando falamos que "os Bucks são ótimos em transição, mas sofrem no ataque de meia quadra", queremos dizer que o time é muito eficiente pontuando quando consegue sair em contra-ataques, mas sofrem quando enfrentam uma defesa bem postada em um menor espaçamento.

Isso tudo é bastante básico, mas essa terminologia é importante e permeia muitas das conversas que você vai ouvir sobre NBA. Com isso, espero que da próxima vez que você ouvir alguém falando que "fulano é muito bom do perímetro, mas sua dificuldade de entrar no garrafão é um problema na meia quadra, exceto se o time posicionar um bom arremessador na zona morta", esses nomes esquisitos façam mais sentido para você!

PARTE 3 DO ESPECIAL NBA: SEXTA-FEIRA

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL