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Tebet: MDB tendia mais para Bolsonaro que para Lula, por isso me procuraram

Do UOL, em São Paulo

27/05/2022 09h17Atualizada em 27/05/2022 13h20

Pré-candidata do MDB à Presidência, a senadora Simone Tebet (MS) negou que a sua candidatura seja "de fachada" e afirmou que o seu partido tendia a apoiar Jair Bolsonaro (PL) e, por isso, ela foi procurada para ser cabeça de chapa. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja.

Quando se fala que o MDB tendia mais para Bolsonaro do que para Lula, é verdade, por isso me procuraram. Entendem que o partido não pode estar atrelado a alguém que tem ideias que flertam com o autoritarismo.
Simone Tebet, pré-candidato à Presidência da República

Pesquisa Datafolha contratada e divulgada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que Simone Tebet tem 2% das intenções de voto, ao lado de Andre Janones (Avante). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O cenário pesquisado pelo Datafolha considerou a ausência de João Doria (PSDB), que desistiu de sua pré-candidatura. Na liderança, está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com 48% das intenções de voto, Lula venceria o pleito em primeiro turno, segundo o Datafolha. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 27%.

"Não existe candidatura de fachada quando você é candidata do maior partido do centro, tem um programa sério e um eleitorado que rejeita os dois nomes que estão na frente", disse Tebet. "Eu só preciso da legenda, do tempo de rádio e TV e dos verdadeiros amigos."

Em entrevista à Veja, Tebet também comentou seu desempenho nas pesquisas eleitorais.

Isso mostra que eu sou desconhecida. Como tenho dito, minha candidatura é política, é para ter uma mulher falando qual Brasil nós, mulheres, queremos. Agora, quero me apresentar à sociedade.
Simone Tebet pontua 2% nas pesquisas eleitorais à Presidência

"Não entro na polarização porque me recuso a achar que Lula e Bolsonaro são maiores que o Brasil. Temos de falar menos deles e mais do Brasil", afirmou à Veja.

Em coletiva de imprensa nesta semana, Tebet afirmou que tem potencial de crescimento devido à insatisfação dos eleitores com as opções de voto no momento. "Tenho certeza, pelas pesquisas que chegaram, que a população está escolhendo pelo menos pior".

O presidente MDB, deputado Baleia Rossi, garantiu ontem que o nome da senadora estará nas urnas em outubro e que ela tem apoio da "maioria esmagadora" do partido para concorrer.

Terceira via

Os diálogos do PSDB e do MDB com outros partidos de centro, em busca de uma candidatura de terceira via, se intensificaram em abril. De início, as negociações reuniam as siglas com Cidadania e também o União Brasil, partido nascido no início do ano pela fusão entre DEM e o PSL, agremiação que elegeu Bolsonaro em 2018.

No início de maio, porém, o União abandonou a terceira via e anunciou que buscaria uma chapa pura (candidato e vice do próprio partido), a princípio encabeçada pelo presidente da legenda, Luciano Bivar. O político, que cedeu o antigo PSL para a campanha vitoriosa de Bolsonaro em 2018, não está sequer entre os dez candidatos com mais intenção de voto, segundo o agregador de pesquisas do UOL.

Apesar do desempenho de Bivar nas pesquisas, o União não manifestou até o momento a intenção de trocar a candidatura dele pela de Sergio Moro, que era dado como presidenciável até o final de março, pelo Podemos, e disputava o terceiro lugar nas pesquisas com Ciro Gomes, do PDT. Pelo União Brasil, contudo, Moro deve concorrer ao Senado, por São Paulo.