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Mesmo conformado, PSDB tende a arrastar decisão final sobre vice de Tebet

De acordo com a última pesquisa DataFolha, Simone Tebet tem 2% das intenções de voto. - Adriano Machado/Agência Brasil
De acordo com a última pesquisa DataFolha, Simone Tebet tem 2% das intenções de voto. Imagem: Adriano Machado/Agência Brasil

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

27/05/2022 04h00

Em discussões internas sobre o que fará nas eleições presidenciais, o PSDB se encaminha para aceitar a candidatura a vice na chapa da pré-candidata do MDB, a senadora Simone Tebet. O martelo, no entanto, deve demorar a ser batido: além de questões de programa de governo e alianças regionais, líderes tucanos querem ver se a senadora pode, afinal, crescer nas pesquisas.

Consultados pelo UOL, políticos tucanos dizem que as negociações respeitarão "o tempo da política", algo que já foi dito pelo presidente do partido, Bruno Araújo. É possível que a decisão final fique próxima do período das convenções partidárias, que começam em 25 de julho. O PSDB e o MDB têm impasses estabelecidos em três estados e vários acordos regionais a fazer.

Partes do partido, especialmente as ligadas a João Doria, ex-governador de São Paulo, ou ao deputado Aécio Neves (MG), ainda resistem à ideia de apoiar Tebet e defendem candidatura própria da sigla, mas com contam pouco amparo na cúpula. A comissão executiva tucana tem uma reunião marcada para a próxima quinta-feira, dia 2, mas o encontro pode até ser adiado por falta de definições.

"O dever do PSDB nessas primeiras conversas foi acertar sua situação com o Doria, graças ao gesto dele. O MDB e o Cidadania fizeram a parte deles, consolidando o apoio à Tebet. Agora vamos continuar as conversas. E vamos tentar ampliar essa aliança, trazer mais partidos para o nosso lado", diz Izalci Lucas, líder do partido no Senado.

Na expectativa de viabilizar a chamada terceira via, uma candidatura que possa fazer frente à disputa entre Lula e Bolsonaro, as siglas de centro estão alinhadas no discurso de que é possível conquistar mais apoios. Ao falar como pré-candidata, na sede do MDB em Brasília na quarta-feira (25), Tebet declarou que buscará até o apoio de Ciro Gomes (PDT), que segue em terceiro lugar nas pesquisas.

"A partir de hoje, nós começamos a conversar com todos os partidos do centro democrático, sem exceção, que tenham ou não tenham pré-candidatos", disse a senadora.

Meia escolha

A escolha por Tebet, ao menos nesse momento, já existe mesmo entre antigos aliados de Aécio. O deputado, que é rival de Doria no partido, defende abertamente uma candidatura própria da legenda, mas a do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. A tese, porém, vem ficando isolada.

"A Tebet é a nossa pré-candidata, porque o partido já avançou bastante nesse sentido", diz o deputado Paulo Abi-Ackel (MG). "Agora é questão de fazer as composições, acertar palanques estaduais, e é preciso que ela se torne viável nas pesquisas. Se tudo der certo, ela será nossa candidata."

A emedebista disse "não ter dúvidas" de que contará com o apoio do PSDB. O MDB garantiu que ela estará nas urnas em outubro. O panorama trouxe até a possibilidade de que Leite concorra ao governo do Rio Grande do Sul, ao qual renunciou há dois meses para se manter apto a concorrer à Presidência, mesmo tendo perdido as prévias para Doria no fim do ano passado.

"Com a decisão do João [Doria] de não disputar, abriu-se um caminho para a Simone tentar construir a candidatura dela", avalia Fernando Alfredo, presidente do PSDB na cidade de São Paulo. "Agora cabe a ela construir, falar com as pessoas e tentar se consolidar. Se ela não conseguir crescer, nós podemos voltar a ter candidato próprio", projeta.

Impasses estaduais

Apesar de Leite estar cotado para disputar novamente o governo do Rio Grande do Sul, o MDB já tinha um pré-candidato próprio, o deputado estadual Gabriel Souza. Caso os tucanos decidam lançar Leite novamente ao Executivo gaúcho, a costura é para que Gabriel seja seu vice.

Impasses ainda sem solução à vista estão no Mato Grosso do Sul, um dos estados mais simpáticos a Bolsonaro, e em Pernambuco, mais próximo de Lula. Outros estados, como Minas Gerais e Paraíba, também têm questões de alianças a serem resolvidas, segundo líderes consultados pelo UOL.

No Mato Grosso do Sul, o ex-governador André Puccinelli (MDB) tem planos sólidos para tentar um novo mandato. No estado, porém, há um pré-candidato do PSDB que espera contar com o apoio de Bolsonaro para vencer: o empresário ruralista Eduardo Riedel, que ocupou secretarias no atual governo estadual. Até o momento, nenhum dos lados abre mão de ser cabeça de chapa.

Em Pernambuco, estado do presidente do PSDB, Bruno Araújo, há outra cisão. O líder tucano quer ter apoio do MDB para a candidatura de Raquel Lyra, ex-delegada da Polícia Federal que foi deputada e prefeita de Caruaru. O MDB, porém, é base do governo de Paulo Câmara, do PSB, e os dois partidos querem renovar a aliança.

Terceira via

Os diálogos do PSDB e do MDB com outros partidos de centro, em busca de uma candidatura de terceira via, se intensificaram em abril. De início, as negociações reuniam as siglas com Cidadania e também o União Brasil, partido nascido no início do ano pela fusão entre DEM e o PSL, agremiação que elegeu Bolsonaro em 2018.

No início de maio, porém, o União abandonou a terceira via e anunciou que buscaria uma chapa pura (candidato e vice do próprio partido), a princípio encabeçada pelo presidente da legenda, Luciano Bivar. O político, que cedeu o antigo PSL para a campanha vitoriosa de Bolsonaro em 2018, não está sequer entre os dez candidatos com mais intenção de voto, segundo o agregador de pesquisas do UOL.

Apesar do desempenho de Bivar nas pesquisas, o União não manifestou até o momento a intenção de trocar a candidatura dele pela de Sergio Moro, que era dado como presidenciável até o final de março, pelo Podemos, e disputava o terceiro lugar nas pesquisas com Ciro Gomes, do PDT. Pelo União Brasil, contudo, Moro deve concorrer ao Senado, por São Paulo.