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Maioria dos pré-candidatos do Rio defende câmeras em fardas e nova polícia

Do UOL, em São Paulo

21/05/2022 04h00Atualizada em 21/05/2022 12h13

Ao menos quatro pré-candidatos ao governo do Rio defenderam, durante sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, o uso de câmeras nas fardas como maneira de proteger os policiais. Alguns foram ainda mais críticos e prometeram reformar as polícias.

O atual governador, Cláudio Castro (PL), que tentará a reeleição, disse que em no máximo 30 dias serão instalados os equipamentos e justificou o atraso por problemas na licitação.

"Eu acredito muito que a câmera é uma proteção da polícia, uma proteção do cidadão e do policial. Entendo a crítica de quem não queira a câmera. Mas já deixei claro que haverá curva de aprendizado pela própria polícia. A cúpula da polícia é favorável às câmeras. Acredito que em mais 30 dias aí está sendo totalmente aplicada."

Para fazer a "curva de aprendizado" citada por Castro, as câmeras devem começar a funcionar em locais turísticos e com ocorrências mais simples, como furtos, para depois serem expandidas a todos os batalhões.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB) disse que vai trocar os protocolos usados pela polícia. "Eles vão ter um regulamento diferenciado e humanizado. A gente não pode ter um regulamento de 30 anos atrás. Vamos ter uma evolução do quadro da polícia baseada em transparência e motivação", afirmou, defendendo uma melhoria na formação e nos equipamentos.

Freixo também criticou a falta de valorização dos policiais atualmente e disse que é preciso oferecer melhores condições de trabalho para os agentes.

Pré-candidato pelo PSD, o advogado Felipe Santa Cruz criticou o governo de Cláudio Castro (PL) por não cumprir a lei e autorizar a colocação de câmeras nas fardas dos policiais.

Disse que o equipamento dá transparência à atuação dos profissionais de segurança pública e protege a "banda boa" da polícia.

"Não acredito nesse dilema entre polícia homicida, Estado assassino, ou a completa omissão. Isso é aceitar que a polícia não precisa proteger a população das comunidades, recuperar áreas nas mãos da 'narcomilícia'. Não há saída para a situação do Rio que não passe por integração, pela organização da polícia e de todo o sistema da Justiça", disse.

Ele também defendeu a recriação da Secretaria de Segurança Pública, uma ouvidoria externa e a melhoria de integração entre Ministério Público, Judiciário e as polícias.

Anthony Garotinho (União Brasil) disse que a ideia do uso de câmeras é antiga. "É algo defendido por mim há muito tempo, mas na época [em que foi governador, entre 1999 e 2002] não tínhamos tecnologia suficiente para isso", afirmou.

Também prometeu retomar a política de proximidade, colocando mais policiais nas comunidades.

"A política de proximidade é um tipo de ação, não pode ser a única. Não se pode achar que só mandando polícia para dentro da comunidade que vai resolver problemas. Você tem que fazer com que a comunidade não fique refém do dinheiro do tráfico", afirmou.

Sobre recriar a Secretaria de Segurança, disse que não vê a necessidade de duas secretarias nessa área, citando a Secretaria de Polícia civil e a Secretaria de Polícia Militar. "O que nós temos que ter é uma unidade nos procedimentos e a uniformização de todo o trabalho da polícia, além de fortalecer a corregedoria externa e aproximar a política de segurança do estado com o que há de mais moderno no mundo."

Rodrigo Neves (PDT) defendeu o equipamento para "proteger o bom policial" e "separar o joio do trigo".

"A imensa maioria dos policiais é constituída por gente séria. O problema das milícias é um que precisa ser enfrentado, como enfrentei em Niterói, e fui ameaçado", afirmou.

Também prometeu promover integração e inteligência entre as polícias. "É preciso integrar as agências de segurança pública. Hoje, o Rio não tem uma agência estadual, uma secretaria, que faça a interface com a Polícia Federal, com as Forças Armadas", disse Neves.

Policiais militares mostram câmeras instaladas nos uniformes, em São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress - Rubens Cavallari/Folhapress
Policiais militares mostram câmeras instaladas nos uniformes, em São Paulo
Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

Para o comunista Eduardo Serra, é necessária a criação de uma nova polícia.

"Nós temos uma proposta para a polícia que é a extinção das duas polícias que existem hoje —Civil e Militar— e a criação de uma nova: uma instituição civil e uniformizada para ela ser uma polícia de ação investigativa, preventiva e educativa —e sem nenhuma concessão ao crime organizado, de qualquer tipo", acrescentou.

"A ideia é transformar a instituição, mudar a forma de entrada, fazer com que todos tenham carreira, salários dignos e uma formação forte, principalmente no sentido de definir o seu papel como protetor da população e vai trabalhar em conjunto com a comunidade", continuou.

Ele propôs ainda um conselho popular de segurança, em que os moradores vão ser parceiros da polícia.

Cyro Garcia, do PSTU, também defendeu um novo modelo de segurança pública, que não "criminalize a pobreza" e mude o pensamento sobre as drogas. "Droga para mim é questão de saúde pública, não de segurança pública", afirmou.

Para ele, é necessária a desmilitarização da polícia e a criação de uma Polícia Civil que incorpore tanto os setores de inteligência da corporação quanto o policiamento ostensivo. Também defendeu o armamento da população.

"Nós defendemos a autodefesa da classe. Mas não fazendo armamento de supermercado, tendo condições de as associações de moradores poderem se armar, MST, MTST, sindicatos. Autodefesa a partir das organizações da classe trabalhadora", declarou.