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Em nota, MDB, PSDB e Cidadania citam falas de Tebet e Doria e pregam união

João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB), pré-candidatos à Presidência  - Divulgação/Governo de São Paulo e Reprodução
João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB), pré-candidatos à Presidência Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo e Reprodução

Colaboração para o UOL, em Maceió

19/05/2022 19h27

Em nota conjunta divulgada hoje, os presidentes do MDB, do PSDB e do Cidadania, Baleia Rossi, Bruno Araújo e Roberto Freire, respectivamente, citaram falas dos pré-candidatos à Presidência João Doria e Simone Tebet para pregar a "união" em torno da formação de uma chapa única em oposição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

O comunicado acontece após as legendas optarem pelo nome de Simone Tebet como a candidata da terceira via no pleito presidencial de outubro, enquanto o tucano foi deixado de lado. O texto sinaliza que o ex-governador de São Paulo participou ativamente de todo esse processo de formação de uma candidatura única e sempre externou que o principal não seria sua nomeação ao pleito, mas, sim, o "bem do Brasil".

Os partidos citam uma declaração de Doria durante sabatina promovida pelo UOL, quando o tucano disse "ter o bom entendimento de que a prioridade é o Brasil", não interesses pessoais. Na ocasião, ele destacou não se priorizar na disputa e tampouco excluía "nenhuma alternativa". "A prioridade é o Brasil e os brasileiros, não é sequer meu partido, nem sequer o indivíduo", completou.

Em relação a Tebet, salientaram que a senadora também pontuou que é preciso "deixar os projetos pessoais porque o que interessa é o centro democrático estar no segundo turno das eleições". Ela teria ressaltado ainda que joga "em qualquer posição", e garantiu que estará no "palanque do centro democrático por convicção de que a polarização está levando o Brasil para o abismo".

"Ao longo do ano passado, MDB, PSDB e Cidadania voltaram-se para suas bases para escolher um representante que pudesse liderar um projeto para a disputa da Presidência da República. Em novembro de 2021, o PSDB realizou suas prévias, vencidas pelo governador João Doria. Em dezembro de 2021, deixando de lado conveniências políticas locais e pessoais, os partidos e seus respectivos pré-candidatos iniciaram as discussões para a formação de uma chapa única", diz a nota.

Segundo o comunicado, várias das reuniões realizadas entre as três legendas aconteceram na residência de João Doria. Agora, cientes de que tanto o tucano quanto Tebet apontaram que o principal era chegar a um consenso sobre o melhor nome para liderar a chapa, os partidos dizem estar "convictos de que o fundamental" é ter "propostas comuns para transformar o país".

Ainda sem oficializar a candidatura de Simone Tebet, as siglas afirmam ter convicção de que "o Brasil terá uma nova candidatura competitiva, para vencer", sem se ater a "disputas ideológicas e partidárias", com foco no "debate político", e com a proposição de "soluções reais para problemas reais".

Candidatura de Doria não é viável, alertou Aloysio Nunes

Na semana passada, o ex-senador Aloysio Nunes, um dos principais caciques do PSDB, já havia afirmado que a candidatura de Doria ao Planalto não era viável e que o ex-governador havia sido rifado dentro do próprio partido — Nunes, inclusive, criticou a direção do PSDB e declarou que seu voto no pleito de outubro será em Lula.

O principal motivo para a decisão do PSDB, do DEM e do MDB pelo nome de Simone Tebet deve-se à alta rejeição de Doria entre os eleitores. Porém, tanto a senadora quanto o ex-governador aparecem entre os últimos colocados nas pesquisas de intenções de votos, com resultados bem aquém do esperado para o tamanho desses partidos.

Conforme a colunista do UOL, Thais Oyama, João Doria se recusou a participar de um encontro com os membros da Executiva tucana, pois sabia que, à sua espera, encontraria um "corredor polonês" — apenas um dos 32 membros do colegiado máximo do partido defende a manutenção de sua pré-candidatura à Presidência.

O PSDB, que já foi um dos maiores partidos do Brasil, tem agonizado desde o pleito de 2018, quando a sigla saiu das eleições daquele ano com um resultado pífio. Nas palavras de Aloysio Nunes, a legenda "pode estar vivendo uma fase terminal".

A briga nos bastidores do PSDB, por exemplo, está intensa entre o presidente do partido, Bruno Araújo, e João Doria. Segundo o colunista do UOL, Tales Faria, Araújo já avisou ao tesoureiro tucano, Cesar Gontijo, que não assinará a liberação de "nem mais um centavo" para gastos na pré-campanha do ex-governador.