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Aloysio e Renan? Veja os apoios improváveis que Lula já recebeu na campanha

Aloysio Nunes diz que apoiará candidatura de Lula - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Aloysio Nunes diz que apoiará candidatura de Lula Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Franceli Stefani

Colaboração para o UOL

19/05/2022 04h00

Com o intuito de montar uma frente ampla para tentar derrotar Jair Bolsonaro (PL) no pleito eleitoral deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem negociado, articulado e conquistado importantes aliados no caminho.

Entre os nomes que já sinalizaram apoio estão o tucano histórico Aloysio Nunes Ferreira, o antigo crítico do petista Cristovam Buarque e o ex-adversário Geraldo Alckmin, que largou o PSDB e virou pré-candidato a vice ao lado do petista.

Desde março no Partido Socialista Brasileiro (PSB), Alckmin tem sido uma das peças fundamentais nessa ideia de construir um grupo capaz de chegar à Presidência. No lançamento da chapa, no início de maio, o ex-governador de São Paulo disse que as divergências não são pretexto para deixar de apoiar Lula.

A aproximação entre os políticos é recente. Alckmin esteve no PSDB por 33 anos e chegou a dizer, em 2018, que não existiria a "menor chance de aliança com o PT", o grande partido rival na época. Em 2006, fez duras críticas a Lula na disputa durante o segundo turno das eleições presidenciais.

"Nenhuma divergência do passado, nenhuma diferença do presente, nem as disputas de ontem nem as eventuais discordâncias de hoje ou de amanhã, nada servirá de razão para que eu deixe de apoiar e defender com toda a minha convicção a volta de Lula à presidência do Brasil", disse ele agora.

Apoio tucano

Recentemente, Aloysio Nunes Ferreira também declarou apoio à chapa Lula-Alckmin. O tucano já foi ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer, ministro da Justiça e secretário-geral na gestão FHC, senador pelo PSDB-SP e vice-governador de São Paulo no governo Fleury Filho.

Segundo ele, a prioridade nesse processo democrático é escolher entre a "civilização e a barbárie". A declaração foi dada ao jornal O Estado de S.Paulo.

Filiado ao PSDB há mais de 20 anos, ele considera que o partido está vivendo uma fase terminal, devido à falta de unidade e coerência. Afirmou ainda que fará campanha para Lula já no primeiro turno e não acredita que haja espaço para outro concorrente.

Para Nunes, embora tenha vencido as prévias tucanas, o ex-governador paulista João Doria vive uma candidatura conturbada, num momento de desarticulação do partido.

"Não existe essa terceira via; só existem duas: a da democracia e a do fascismo. Se quisermos salvar o Brasil da tragédia de Bolsonaro, teremos de discutir o que vamos fazer juntos", falou.

9.out.2018 - O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), durante entrevista em seu gabinete, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress - Pedro Ladeira/Folhapress
Ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania-DF) quer ver Lula eleito no primeiro turno
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Ex-ministro sai da oposição

Cristovam Buarque (Cidadania-DF) chegou a comandar o Ministério da Educação no primeiro mandato do petista, depois mudou de lado e se tornou oposição. Agora, o ex-senador diz que essa grande aliança que aparenta se formar em torno do ex-presidente pode "calar a boca das milícias, impedir um terceiro turno que o Bolsonaro vai tentar".

Durante entrevista ao jornalista Luis Carlos Pinto, no ano passado, afirmou que o atual presidente provoca "um retrocesso histórico", não apenas uma crise institucional. Então, não seria possível "excluir o Lula como uma alternativa de todos os democratas já no primeiro turno".

Manifesto

Em fevereiro, um manifesto que defende a eleição de Lula já no primeiro turno contou com sua assinatura.

No documento aparecem outros políticos, como o senador Randolfe Rodrigues, ex-senador Hélio José, ex-deputado federal constituinte Márcio Santili e a secretária de Cultura do Pará, Úrsula Vidal, além de intelectuais, advogados, lideranças de entidades civis, empresários, sindicalistas e artistas —sendo que alguns deles se dizem "não-petistas" e apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Outro que já anunciou apoio à eleição do petista foi Renan Calheiros (MDB-AL).

O senador tem sido importante na articulação da candidatura de Lula, e já faz contato com possíveis apoiadores, como o ex-prefeito da capital paulista e líder do PSD Gilberto Kassab.

Ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan já teve cargos de destaque nos governo Collor e FHC, apoiou Lula no segundo mandato e depois votou a favor do impeachment de Dilma —posteriormente disse que se arrependeu.

Mais gente pode entrar na lista

Outra expectativa, já articulada por Lula, é de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também possa apoiá-lo no primeiro turno.

Embora tenha dito que seu apoio é ao candidato tucano, o presidente de honra do PSDB afirmou no ano passado que não descarta apoio ao petista.

Em maio de 2021, durante um debate promovido pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (Iree), FHC disse que anulou o voto na eleição passada, o que não fará neste ano.

Outros tucanos na mira de Lula são o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que ainda não se posicionou publicamente, mas manteve conversas com o petista no ano passado, e o ex-secretário-geral da Presidência no governo FHC e ex-senador Arthur Virgílio.