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'Não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele', diz cacique tucano

O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes - Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Colaboração para o UOL, em Maceió

13/05/2022 15h15

O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, um dos principais caciques do PSDB, declarou voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano, e afirmou que o segundo turno da disputa entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL) "já começou".

Em entrevista ao Estadão, Aloysio Nunes rechaçou a formação de uma terceira via de oposição a Lula e a Bolsonaro, que tem como principal nome o ex-governador de São Paulo João Doria, pré-candidato de seu partido ao pleito.

"O segundo turno já começou e eu não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno. Não existe essa de terceira via, só existem duas: a da democracia e do fascismo. Se quisermos salvar o Brasil da tragédia de Bolsonaro, teremos de discutir o que vamos fazer juntos", declarou.

Para o tucano, Doria não tem chances de emplacar sua candidatura ao Planalto e, inclusive, já foi rifado dentro do próprio partido. Diante desse cenário em que o país vivencia "uma situação catastrófica", ele defende que seja criado um movimento em apoio à chapa formada por Lula e pelo ex-governador paulista, Geraldo Alckmin (PSB-SP).

Mais tucanos podem apoiar Lula no 1º turno

Conforme o Estadão, há nos bastidores a expectativa para que outras figuras históricas e importantes do PSDB abram mão do apoio a João Doria e declarem abertamente voto em Lula já no primeiro turno.

Além de Aloysio, que tomou a dianteira e antecipou seu voto no petista, outros nomes cotados são os de José Aníbal e Arthur Virgílio. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso só apoiará o PT caso Doria não se candidate ou não passe para o segundo turno da disputa.

No ano passado, Lula e FHC chegaram a se encontrar pessoalmente. Além disso, o tucano assegurou que, entre o petista e Bolsonaro, ele votará no político do PT devido ao fato de ele ser um "democrata" e respeitar as instituições.

'Candidatura de Doria não é viável'

Em entrevista à CNN Brasil, Aloysio Nunes pontuou que, ao seu ver, a candidatura de João Doria ao Planalto "não é viável", pois o empresário "não tem o carisma" que seus adversários diretos, Lula e Bolsonaro, têm para se conectar com os eleitores.

Ainda, o ex-senador criticou o próprio partido, o PSDB, que ontem anunciou uma pesquisa conjunta realizada com o MDB e o Cidadania para a realização de pesquisas quantitativas e qualitativas de opinião para definir uma provável liderança de chapa de João Doria ou da senadora Simone Tebet. Para Nunes, isso representa a "falência da direção política" da sigla tucana.

"Não tenho que aguardar algo que os dirigentes do meu partido disseram que é uma condição para definir o candidato, que é uma pesquisa qualitativa. Convenhamos, você contratar um pesquisador por melhor que seja para definir quem é o candidato, se vai ter candidato próprio ou se vai apoiar outro, é a falência da direção política, isso não tem o menor cabimento. Terceirizar essa decisão nas mãos de um pesquisador, pelo amor de Deus, eu não preciso de pesquisa qualitativa. É Bolsonaro contra Lula e não tenho dúvida que sou Lula."

João Doria foi escolhido para disputar a presidência da República nas prévias do PSDB no ano passado, em uma disputa contra o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, que, após a derrota, chegou a esboçar sua saída da legenda e até se lançar como candidato por outro partido.

Pesquisa Ipespe contratada pela XP Investimentos divulgada hoje mostra que Lula permanece à frente na corrida presidencial com 44% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar com 32%, seguido por Ciro Gomes (PDT) com 8%. João Doria aparece apenas na quarta posição com 3%.

'PSDB pode estar em fase terminal', diz Aloysio

No mês passado, em entrevista à CNN Brasil, Aloysio Nunes Ferreira ponderou que o PSDB vive uma situação crítica e "pode estar em fase terminal", dado o atual cenário da sigla, que deixou de ser protagonista na corrida pelo Planalto, perdeu relevância em âmbito nacional, vive uma crise interna e pode deixar o governo de São Paulo após décadas no poder.

"O PSDB pode estar vivendo uma fase terminal porque não conseguiu no governo Bolsonaro se colocar como oposição clara, nem a favor, nem contra, [e manteve] uma posição nebulosa", afirmou.

Na mesma entrevista, o cacique tucano elogiou a chapa composta por Lula e Geraldo Alckmin que, segundo pontuou, é uma "aliança em torno da democracia".

"As diferenças entre Alckmin e Lula existem, mas é por isso que estão juntos, se fossem iguais, não estariam. O fato de Geraldo ter diferenças de projeto é o que justifica a aliança dos dois em torno da democracia", declarou.