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Preso 5 vezes, Garotinho diz que foi perseguido pela Justiça por denúncias

Beatriz Gomes e Matheus Mattos

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

18/05/2022 16h20Atualizada em 18/05/2022 20h50

O pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (União Brasil) disse hoje, durante a sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de São Paulo, que foi preso em razão da perseguição da Justiça contra as denúncias que ele fazia.

Garotinho, 62, governou o estado entre 1999 e 2002 e foi detido cinco vezes após deixar o cargo sob acusações de corrupção, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais. Ele nega os crimes e responde aos processos em liberdade.

"Eu não tenho, no momento, diante do que eu venho assistindo aqui no Rio de Janeiro, depois de tudo o que eu passei em defesa do nosso estado, o direito de me omitir nessas eleições. Eu fui covardemente processado pela Justiça de Campos dos Goytacazes em função das denúncias que eu protocolei e provei contra o ex-governador Sérgio Cabral", explicou.

O ex-governador também se disse "entristecido" por se exposto, assim como à sua família, e hoje ver que as práticas semelhantes ao do governo de Sérgio Cabral continuam ocorrendo.

"Sofri uma perseguição intensa e agora, lamentavelmente, para a minha tristeza, eu vejo muitas práticas semelhantes ao governo Sérgio Cabral sendo praticadas no estado. Às vezes eu fico até um tanto quanto entristecido porque eu me expus, expus minha família, expus amigos que sofreram junto comigo, que viram as atrocidades, barbáries que foram cometidas por esses setores que foram denunciados com Sérgio Cabral. Porque eu não denunciei só o Sérgio Cabral, eu denunciei o Executivo, Legislativo, parte do Ministério Público e parte do Judiciário", completou o político.

"Não fui preso acusado de enriquecimento ilícito, nunca fui acusado de ter roubado nada. A coisa era tão escandalosa e política contra mim que eu entrava e saía [da prisão]", afirma.

Garotinho confirmou a pré-candidatura ao governo pelo União Brasil após o impasse da escolha seu nome para a disputa e afirmou que não se "sentiria bem" em um mandato de deputado federal e observar de longe a situação atual do estado do Rio de Janeiro.

"Não vou ser candidato a nada se não for candidato ao governo do Rio. Se não me derem a vaga [na disputa como governador], eu não saio candidato. Não preciso de cargo público."

Questionamentos ao processo eleitoral

O sistema eleitoral, alvo frequente de críticas por parte de Bolsonaro, também foi questionado por Garotinho durante a sabatina. Segundo ele, "não há possibilidade de fraude na urna, porque ela não tem conexão com a internet, o que pode ser fraudado é o sistema de transmissão de dados".

As urnas eletrônicas são auditáveis. Também é testada com regularidade a segurança de todas as fases do sistema. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma que não há indícios de fraude em eleições desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram adotadas no país.

"O comando do sistema é humano", afirmou, sem apresentar nenhuma prova. "Como qualquer sistema, pode ser manipulado. Não estou dizendo que foi."

Na última semana, em meio à ofensiva do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o processo eleitoral, o TSE concluiu a segunda rodada de testes de segurança nas urnas eletrônicas sem identificar fragilidades.

Possibilidade de golpe

Garotinho declarou que não enxerga nenhuma possibilidade de golpe de Estado no Brasil, apesar dos ataques frequentes do presidente Jair Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu não acredito, não vejo a menor possibilidade de golpe de Estado no país. Não existe esse ambiente nas Forças Armadas, pelo menos com as pessoas que eu converso, eu tenho alguns interlocutores na Marinha, Exército e Aeronáutica. Eu não vejo esse ambiente. Pode existir setores, mas são amplamente minoritários. Eu não creio que isso seja viável."

Garotinho também se classificou como um "democrata" que "jamais aceitaria qualquer tipo de manifestação contra instituições democráticas", porém ressaltou que todas as instituições precisam "se colocar em seus lugares". "Temos que tomar cuidado para não ter ditadura de tipo nenhum", afirmou.

Ele não se posicionou sobre apoio a Bolsonaro ou Lula, evitou fazer críticas mais contundentes a qualquer um dos dois e disse que Luciano Bivar, presidente da sua legenda e atualmente pré-candidato, está "animado" com a disputa pelo Palácio do Planalto.

"Acho que o governo Bolsonaro teve acertos e teve erros. O governo Lula, teve acertos e teve erros. Eu vou me posicionar politicamente de acordo com a direção nacional do meu partido", afirmou, sobre apoios num eventual segundo turno.

Ao falar sobre as recentes prisões e sua imagem política, Garotinho comparou os dias que ficou preso com os de Lula. "Lembre-se de que o candidato aí a presidente da República pegou 570 e poucos dias, eu levei 29 entre essas cinco vezes [preso]. A coisa era tão escandalosa e política contra mim que eu entrava e saía [da cadeia]. Virou até brincadeira, lamentavelmente."

Pesquisa

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em abril, há um empate técnico na liderança entre o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o atual governador, Cláudio Castro (PL), na disputa ao governo do estado.

O terceiro lugar traz oito candidatos tecnicamente empatados: Anthony Garotinho (União Brasil), com 7%; Rodrigo Neves (PDT), com 5%; Eduardo Serra (PCB), com 4%; General Santos Cruz (Podemos), também com 4%; Cyro Garcia (PSTU), com 3%; André Ceciliano (PT), com 2%; Felipe Santa Cruz (PSD), com 2%; e Paulo Ganime (Novo), que tem 1% das intenções de voto.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Veja os números:

  • Marcelo Freixo (PSB): 18%
  • Cláudio Castro (PL): 14%
  • Anthony Garotinho (União Brasil): 7%
  • Rodrigo Neves (PDT): 5%
  • Eduardo Serra (PCB): 4%
  • General Santos Cruz (Podemos): 4%
  • Cyro Garcia (PSTU): 3%
  • André Ceciliano (PT): 2%
  • Felipe Santa Cruz (PSD): 2%
  • Paulo Ganime (Novo): 1%
  • Brancos e nulos: 30%
  • Indecisos: 9%