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Garotinho diz que disputará governo do Rio e questiona processo eleitoral

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

18/05/2022 16h59Atualizada em 18/05/2022 20h50

Anthony Garotinho (União Brasil), pré-candidato ao governo do Rio, afirmou, durante a sabatina UOL/Folha realizada hoje, que vai entrar na disputa pelo cargo no Executivo estadual, questionou o processo eleitoral e disse não saber se apoiará Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Jair Bolsonaro (PL) num possível segundo turno nas eleições presidenciais.

Garotinho disse que não tinha se colocado como candidato ao governo em seu novo partido, mas mudou de ideia por não querer se "omitir nestas eleições". "Não vou ser candidato a nada se não for candidato ao governo do Rio. Se não me derem a vaga [na disputa como governador], eu não saio candidato. Não preciso de cargo público."

Ele, que se colocou como o mais experiente atualmente na disputa no Rio, diz que foi preso cinco vezes por ter sofrido uma perseguição da Justiça e do Ministério Público. Mas que sua situação de elegibilidade atual é regular.

"Eu fui covardemente processado pela Justiça de Campos, em função das denúncias que eu protocolei e provei contra o ex-governador Sérgio Cabral. Sofri uma perseguição intensa, e agora lamentavelmente, para a minha tristeza, eu vejo muitas práticas semelhantes ao governo Sérgio Cabral sendo praticadas no estado do Rio de Janeiro", disse comparando Cabral, atualmente preso, ao atual governador, Cláudio Castro (PL).

Questionando se as prisões atrapalhariam na conquista de eleitores, Garotinho disse que ficou menos tempo preso do que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

"Eu não fui preso acusado de enriquecimento ilícito, eu nunca fui acusado de ter roubado nada. E lembre-se o candidato aí [concorrendo] a presidente da república pegou 570 e poucos dias, eu levei 29 entre nessas 5 vezes. A coisa era tão escandalosa e política contra mim que eu entrava e saía. Virou até brincadeira, lamentavelmente. Porque todo mundo no Rio, todo o meio jurídico sabia que era perseguição de um setor judiciário do Ministério Público e um setor empresarial, que era denunciado por mim. Eu não sou uma pessoa patrimonialista. Ninguém está discutindo aqui o apartamento ou o sítio do Garotinho."

Questionamentos ao processo eleitoral

O sistema eleitoral, alvo frequente de críticas por parte de Bolsonaro, também foi questionado por Garotinho durante a sabatina. Segundo ele, "não há possibilidade de fraude na urna, porque ela não tem conexão com a internet, o que pode ser fraudado é o sistema de transmissão de dados".

As urnas eletrônicas são auditáveis. Também é testada com regularidade a segurança de todas as fases do sistema. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma que não há indícios de fraude em eleições desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram adotadas no país.

"O comando do sistema é humano", afirmou, sem apresentar nenhuma prova. "Como qualquer sistema, pode ser manipulado. Não estou dizendo que foi."

Na última semana, em meio à ofensiva do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o processo eleitoral, o TSE concluiu a segunda rodada de testes de segurança nas urnas eletrônicas sem identificar fragilidades.

Possibilidade de golpe

Garotinho declarou que não enxerga nenhuma possibilidade de golpe de Estado no Brasil, apesar dos ataques frequentes do presidente Jair Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu não acredito, não vejo a menor possibilidade de golpe de Estado no país. Não existe esse ambiente nas Forças Armadas, pelo menos com as pessoas que eu converso, eu tenho alguns interlocutores na Marinha, Exército e Aeronáutica. Eu não vejo esse ambiente. Pode existir setores, mas são amplamente minoritários. Eu não creio que isso seja viável."

Garotinho também se classificou como um "democrata" que "jamais aceitaria qualquer tipo de manifestação contra instituições democráticas", porém ressaltou que todas as instituições precisam "se colocar em seus lugares". "Temos que tomar cuidado para não ter ditadura de tipo nenhum", afirmou.

Ele não se posicionou sobre apoio a Bolsonaro ou Lula, evitou fazer críticas mais contundentes a qualquer um dos dois e disse que Luciano Bivar, presidente da sua legenda e atualmente pré-candidato, está "animado" com a disputa pelo Palácio do Planalto.

"Acho que o governo Bolsonaro teve acertos e teve erros. O governo Lula, teve acertos e teve erros. Eu vou me posicionar politicamente de acordo com a direção nacional do meu partido", afirmou, sobre apoios num eventual segundo turno.

Ao falar sobre as recentes prisões e sua imagem política, Garotinho comparou os dias que ficou preso com os de Lula. "Lembre-se de que o candidato aí a presidente da República pegou 570 e poucos dias, eu levei 29 entre essas cinco vezes [preso]. A coisa era tão escandalosa e política contra mim que eu entrava e saía [da cadeia]. Virou até brincadeira, lamentavelmente."

Críticas a Cláudio Castro

Garotinho definiu o atual governo do estado como "muito sofrível". "Ele fez uma composição política para se manter no poder extremamente nocivo. Eu não sei aonde isso vai parar, tem pessoas que dizem que vai parar longe", e afirmou que tem situações ocorrendo dentro do governo "que são complicadas".

Questionado sobre qual seria o caso citado, Garotinho explicou: "Nós vamos ter o momento oportuno para tratar desse assunto". "Eu devo agir com cautela para não criar mais inimigos do que já tenho."

Ele revelou também desejo em voltar com o conceito de "polícia de proximidade", estratégia que procura aproximar a população com as forças de segurança, mas defendeu também outras medidas.

"Não pode achar que só mandando polícia para dentro da comunidade que vai resolver problemas. Você tem que fazer com que a comunidade não fique refém do dinheiro do tráfico", disse.

Pesquisa

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em abril, há um empate técnico na liderança entre o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o atual governador, Cláudio Castro (PL), na disputa ao governo do estado.

O terceiro lugar traz oito candidatos tecnicamente empatados: Anthony Garotinho (União Brasil), com 7%; Rodrigo Neves (PDT), com 5%; Eduardo Serra (PCB), com 4%; General Santos Cruz (Podemos), também com 4%; Cyro Garcia (PSTU), com 3%; André Ceciliano (PT), com 2%; Felipe Santa Cruz (PSD), com 2%; e Paulo Ganime (Novo), que tem 1% das intenções de voto.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Veja os números:

  • Marcelo Freixo (PSB): 18%
  • Cláudio Castro (PL): 14%
  • Anthony Garotinho (União Brasil): 7%
  • Rodrigo Neves (PDT): 5%
  • Eduardo Serra (PCB): 4%
  • General Santos Cruz (Podemos): 4%
  • Cyro Garcia (PSTU): 3%
  • André Ceciliano (PT): 2%
  • Felipe Santa Cruz (PSD): 2%
  • Paulo Ganime (Novo): 1%
  • Brancos e nulos: 30%
  • Indecisos: 9%