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'PSDB não saiu dele': o que diz quem votou contra Alckmin como vice de Lula

14.abr.2022 - Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) durante encontro com centrais sindicais em São Paulo - Paulo Guereta/Estadão Conteúdo
14.abr.2022 - Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) durante encontro com centrais sindicais em São Paulo Imagem: Paulo Guereta/Estadão Conteúdo

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

15/04/2022 04h00

A chapa entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) para a Presidência deu mais um passo rumo à oficialização, mas houve oposição a ela dentro do Partido dos Trabalhadores. Para 16 petistas que votaram contra essa proposta, apertar as mãos do "companheiro" Alckmin não é o melhor caminho para a sigla.

Eles acabaram como minoria na votação interna da direção nacional. O placar terminou com 68 votos a favor e os 16 contrários. Para estes, o apoio a Lula é incondicional, mas eles duvidam da "reavaliação ideológica" do ex-tucano.

O dirigente petista Valter Pomar, uns dos que se posicionaram contra a chapa com Alckmin, disse ao UOL que está com Lula "seja quem for o vice". Mas pondera que o ex-governador paulista é "líder neoliberal desde pelo menos 1995 e continua sendo até hoje".

"Apoiou o golpe contra Dilma [Rousseff, ex-presidente pelo PT] e o governo [Michel] Temer; aplaudiu a condenação ilegal, a prisão e a interdição fraudulenta de Lula em 2018; saiu do PSDB, mas o PSDB não saiu dele; sem falar no risco de, eleito, se comportar como Temer. Eleitoralmente, corremos o risco dele tirar em vez de acrescentar", justificou Pomar.

A alusão ao comportamento de Michel Temer remete ao impeachment de Dilma Rousseff. Temer era vice-presidente e assumiu o governo federal com a queda de Dilma, sendo acusado por políticos de ter conspirado pela saída da ex-presidente —o que ele nega até hoje.

Pomar defende que há outras lideranças de direita, "que não apoiaram o golpe, nem fizeram oposição aos governos do PT", e poderiam ter sido procuradas para fazer uma chapa com o partido.

O economista e membro do PT Markus Sokol também foi contra a aliança. "Os motivos, apresentei às companheiras e companheiros do DN [Diretório Nacional]. Petista e paulista, não tenho um balanço positivo, do ponto de vista dos trabalhadores e da juventude, dos muitos anos de Alckmin como governador do PSDB. Não conheço as reavaliações que ele possa estar fazendo", disse Sokol, que também prometeu estar sempre ao lado de Lula.

Uma carta da Democracia Socialista, ala do PT que questiona a parceria com Alckmin, também reconhece a "grandeza do desafio" nas eleições de 2022, mas foca as críticas na necessidade de "superação do governo neoliberal de Bolsonaro".

"Geraldo Alckmin relembrou sua presença na luta pela redemocratização e agora na luta pela reconstrução. Num lapso temporal extraordinário, não menciona justamente os anos de governos neoliberais no Brasil, em que ele foi um dos expoentes e, tampouco, os anos recentes de apoio ao golpe de 2016", diz um trecho do texto.

Em nota divulgada após a votação, o PT manteve o tom já presente no evento com o PSB na semana passada, no qual diz que as eleições deste ano serão "uma disputa entre democracia e fascismo". Além da aliança, também foi aprovada a federação com o PCdoB e PV.

A aliança entre Lula e Alckmin é costurada desde o final do ano passado, com a intermediação do ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB), o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o grupo jurídico Prerrogativas.

A ideia de Lula e seus aliados é que a chapa com Alckmin ajuda a alimentar uma imagem de candidato de centro, chancelando Lula como uma pessoa capaz de aglutinar amigos e inimigos em uma frente democrática contra Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

Nos dias 4 e 5 de junho, haverá a decisão final sobre o assunto. O encontro nacional do PT deve bater o martelo de vez no nome de Alckmin como vice na chapa.