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Boulos diz que reproduções de gabinetes de ódio precisam acabar na esquerda

Boulos cobrou unidade da esquerda brasileira, usando como referência o que ocorreu no Chile, onde foi eleito o esquerdista Gabriel Boric - Ana Paula Paiva/Valor
Boulos cobrou unidade da esquerda brasileira, usando como referência o que ocorreu no Chile, onde foi eleito o esquerdista Gabriel Boric Imagem: Ana Paula Paiva/Valor

Colaboração para o UOL

24/03/2022 22h42Atualizada em 25/03/2022 11h21

O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e pré-candidato a deputado federal, Guilherme Boulos (PSOL), disse, em entrevista ao jornalista Juca Kfouri transmitida hoje, que a esquerda precisa superar reproduções do "gabinete do ódio".

"Uma coisa que às vezes me incomoda é dentro do nosso campo a gente ter reproduções de 'gabinetes de ódio', intolerância. Você discorda da posição do meu partido, vira inimigo no dia seguinte. Temos que superar esse tipo de prática", afirmou, durante a entrevista à Rede TVT.

Gabinete do ódio é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto com foco nas redes sociais, inclusive na gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro que difundem desinformação e atacam adversários políticos do presidente.

Boulos cobrou unidade da esquerda brasileira, usando como referência o que ocorreu no Chile, onde foi eleito o esquerdista Gabriel Boric.

"Esse cenário está se desenhando no mundo inteiro, porque o avanço da extrema-direita é global. Felizmente, depois da derrota de Donald Trump, começou um 'refluxo' dessa onda de extrema-direita. A lição que precisamos tirar desse processo é a unidade. Se o campo progressista estiver dividido, eles prosperarão".

Boulos anunciou na última segunda-feira (21) a desistência da pré-candidatura ao governo de São Paulo. "O momento do Brasil exige gestos políticos e generosidade. Tomo esta decisão buscando fortalecer a unidade da esquerda no Brasil e em São Paulo", afirmou Boulos, em nota.

Boulos critica Lula-Alckmin

Durante a entrevista a Juca Kfouri, Guilherme Boulos também voltou a criticar a aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que deve culminar na formação de uma chapa em que o ex-tucano ocupará a vice.

"É difícil, principalmente para a gente de São Paulo, que comeu o 'pão que o diabo amassou' nos governos Alckmin. Evidente que causa desconforto", afirmou o coordenador do MTST.

Na avaliação do psolista, a aliança com o ex-governador não traz ganhos políticos significativos. "Eu entendo que precisa ampliar [alianças], o que eu acho é que essa aliança com Alckmin traz um simbolismo negativo. Ao mesmo tempo, não vejo que traga ganhos eleitorais significativos para colocar na balança".

Alckmin se filiou ontem ao PSB após passar mais de 30 anos no PSDB, com a perspectiva de ser candidato a vice do ex-presidente Lula (PT) e afirmou que o petista representa a "esperança".

"Temos que ter os olhos abertos para enxergar, a humildade para entender que ele [Lula] é hoje o que melhor reflete e interpreta o sentimento de esperança do povo brasileiro. Aliás, ele representa a própria democracia porque ele é fruto da democracia", disse o ex-tucano.